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26/10/2009 - 09h39

Empreiteiras chinesas dominam obras em estádios angolanos

Porto, 26 out (Lusa) - As empreiteiras portuguesas ficaram de fora dos grandes investimentos do governo angolano para o Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2010, mas há companhias lusas entre as construtoras de apoio ao torneio, que começa em 10 de janeiro.

A construção de quatro estádios de futebol despertou a atenção das construtoras portuguesas, sobretudo, as que tiveram a experiência do Euro 2004. Contudo, os principais palcos do CAN 2010, nas cidades de Luanda, Cabinda, Benguela e Lubango, foram adjudicados a empresas chinesas.

O Conselho de Ministros de Angola chegou a anunciar, em maio de 2007, que seria o consórcio luso-angolano, liderado pela Somague e pela Mota Engil, a construir o estádio de Lubango, em Huíla, mas a obra foi entregue à chinesa Sinohydro.

Em declarações à Agência Lusa, uma fonte da Somague reconheceu que a empresa chegou a ter contrato assinado para a construção do estádio de Lubango, acrescentando que a empresa está construindo obras de infra-estrutura de apoio para a comeptição, cujo valor chega a 115 milhões de euros.

O principal projeto da Somague é a reforma e melhoria do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, um investimento de 33,6 milhões de euros, que vai permitir triplicar o número de passageiros da estrutura aeroportuário da capital angolana, de 1,2 para 3,6 milhões de passageiros.

A empresa portuguesa tem também em andamento "vários projetos de reconstrução da rede viária e na área da saúde". A Somague acabou de inaugurar a Clínica Girassol, um investimento de 60 milhões de euros da Sonangol, em Luanda, e está levantando dois hospitais municipais na capital angolana.

O grupo Mota-Engil tem vários projetos nos setores da construção e obras públicas no mercado angolano, onde está presente desde 1946, o ano da fundação da Mota & Companhia.

Segundo fonte da empresa, a Mota-Engil está construindo um hotel em Benguela, uma das cidades sede do CAN 2010, que tem que estar concluído até ao final do ano para acolher uma das seleções apuradas para o campeonato.

O CEO da Soares da Costa, Pedro Gonçalves, admitiu que "houve algumas oportunidades para as quais olhamos, mas não foi uma prioridade para a empresa naquela altura". Em declarações à Agência Lusa, Gonçalves adiantou que a empresa tem vários projetos em andamento no país africano, mas, contrapôs, "já estavam planificadas e não se pode dizer que tenham uma ligação direta ao campeonato".

Angola foi escolhida, em setembro de 2006, para ser o país anfitrião da principal competição de futebol no continente africano, tendo a construção dos quatro estádios para o CAN 2010 sido atribuída por ajuste direto dada a necessidade de lançar as obras para estarem concretizadas no final deste ano.

De acordo com a comissão organizadora do CAN, além dos quatro estádios construídos, "outros 11 estádios já existentes estão a ser recuperados para os treinos das seleções".

O evento fez com que Luanda investisse "na melhoria e ampliação da malha rodoviária nacional e das vias locais, modernização da rede de telecomunicações, recuperação e extensão de dois aeroportos e construção de outros dois, renovação de frotas de transportes públicos e hospitais".

Segundo a comissão organizadora, "as intervenções representam a criação de milhares de empregos diretos e indiretos, para além de permanecerem como benefícios perenes à população no pós Taça das Nações".

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