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29/10/2009 - 10h25

Moody"s rebaixa avaliação da dívida pública portuguesa

Lisboa, 29 out (Lusa) - A agência de notação financeira Moody's mudou nesta quinta-feira a avaliação da dívida pública portuguesa de "estável" para "negativa", refletindo "não só os desafios econômicos que o país enfrenta", mas também a "aparente falta de motivação dos políticos para resolvê-los".

No comunicado, a agência afirma que a principal dificuldade é "o crescimento global que se vai seguir à crise [e que] vai levar a uma dinâmica da dívida seriamente adversa para Portugal".

Entretanto, a Moody"s afirma que "o impacto direto da crise global [passou] amplamente ao lado de Portugal, de tal forma que a performance da economia e a deterioração da política orçamental do governo estiveram em linha ou até melhor que os parceiros da zona do euro".

O problema, destaca o texto, é que "não parece haver uma motivação do governo para agir".

Por outro lado, a Moody's prevê "um crescimento fraco, prejudicando as receitas, e com a dívida a aumentar ao longo do tempo".

A agência assume que "a principal preocupação" é o "fraco potencial de crescimento", atribuível a uma "falta de vontade dos sucessivos governos para restaurarem a competitividade".

De resto, os analistas da Moody's indicam a "falta de competitividade" como um problema recorrente da economia portuguesa.

Se a baixa competitividade persistir, afirma a agência de notação financeira, "é provável que a tendência de crescimento da economia se mantenha relativamente baixa, limitando a capacidade do Governo para sair deste problema quando a retoma econômica chegar".

Para o futuro, a Moody's afirma que vai monitorar de perto a evolução das finanças públicas, identificando se "as reformas significativas são finalmente tomadas para lidar com os problemas latentes" da economia nacional.

O resultado das eleições, que retirou a maioria ao governo de José Sócrates, é também abordado pela agência, que afirma que "o esforço [para lidar com os problemas da economia] parece improvável e o rating pode ser posto em análise para revisão em baixa". Ao invés, conclui a nota, "se medidas ativas forem tomadas e adotadas com um consenso amplo, o rating pode, no limite, reverter para estável".

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