Lisboa, 29 out (Lusa) - O Ministério das Finanças português garantiu nesta quinta-feira que continua "firmemente empenhado" nas "reformas que potenciarão o crescimento econômico futuro", respondendo, assim, ao relatório da agência de qualificação de risco Moody's, que rebaixou a avaliação da dívida pública do país de "estável" para "negativa".
"A avaliação da dívida pública portuguesa anunciada pela Agência Moody's, no sentido de manutenção do rating, mas mudando o "outlook" de estável para negativo, resultou das condições econômicas decorrentes da crise mundial e do consequente agravamento da situação das finanças públicas devido à necessidade de responder a essa crise", diz o ministério, em nota enviada à Agência Lusa.
A resposta à crise, acrescenta a nota, será feita "através de uma política orçamental de natureza expansionista, sendo certo que, nos próximos meses, o Estado deverá continuar a apoiar as famílias e as empresas até que a crise seja finalmente superada".
As medidas de estímulo orçamental, baseadas na Iniciativa para o Investimento e Emprego, afirma o governo, também são dirigidas a resolver "os problemas estruturais do país, nomeadamente nas áreas da dependência energética, qualificações e capacidade exportadora das PME (pequenas e médias empresas)".
O Executivo mostra-se "firmemente empenhado em prosseguir com as reformas que potenciarão o crescimento econômico futuro e em criar condições para que, uma vez ultrapassada a crise, o peso do déficit e da dívida pública na economia se reduza".
Nesta quinta, a Moody's mudou a avaliação da dívida pública portuguesa de "estável" para "negativa", refletindo "não só os desafios econômicos que o país enfrenta", mas também a "aparente falta de motivação" das autoridades políticas "para os resolver".
No comunicado enviado na manhã desta quinta, a agência de classificação de risco afirma que a principal dificuldade é "o crescimento global que se vai seguir à crise (e que) vai levar a uma dinâmica da dívida seriamente adversa para Portugal".
A Moody's, porém, explica que "o impacto direto da crise global (passou) largamente ao lado de Portugal, de tal forma que a performance da economia e a deterioração da política orçamental do governo estiveram em linha ou até melhor que os parceiros da eurozona".
O problema, afirma o comunicado da Moody's, é que "não parece haver uma motivação do governo para agir".
A agência indica que "a principal preocupação" é o "fraco potencial de crescimento", que pode ser atribuído à "falta de vontade dos sucessivos governos para restaurarem a competitividade".
Para o futuro, a Moody's afirma que vai "monitorar de perto" a evolução das finanças públicas, identificando se "as reformas significativas são finalmente tomadas para lidar com os problemas latentes" da economia nacional.
O resultado das eleições, que retirou a maioria que tinha o governo do primeiro-ministro português, José Sócrates, também foi abordado na nota, que afirma que "o esforço (para lidar com os problemas da economia) parece improvável e o rating pode ser posto em análise para revisão em baixa".