Lisboa, 29 out (Lusa) - O lucro da Energias de Portugal (EDP) caiu 20% nos primeiros nove meses do ano em relação ao mesmo período de 2008, até 748 milhões de euros, devido aos "menores ganhos de capital" neste intervalo, informou a empresa nesta quinta-feira.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários portuguesa (CMVM), a companhia explicou que os ganhos de capital registrados nos primeiros nove meses do ano passado, de 483 milhões de euros, vieram "essencialmente do ganho resultante da diluição da participação da EDP na EDP renováveis, no seguimento da Oferta Pública Inicial", de 405 milhões de euros.
Entre janeiro e setembro de 2009, os ganhos de capital da EDP foram calculados em 31 milhões de euros, o que representa uma queda de 94%.
O resultado antes de juros, impostos, amortizações e depreciações (Ebitda) subiu 2,4%, até 2,427 bilhões de euros, nos primeiros nove meses do ano, em relação aos 2,37 bilhões de euros do mesmo período do ano passado.
O crescimento do Ebitda consolidado foi "suportado pelas atividades liberalizadas na Península Ibérica", dos quais resultaram 186 milhões de euros, e "pelas operações eólicas", 62 milhões de euros.
Os custos operacionais, por sua vez, caíram 5%, para 1,252 bilhão de euros, enquanto os gastos com pessoal caíram 6% e os com benefícios sociais, 18%.
A empresa adianta ainda que os recebimentos futuros relacionados com a atividade regulada diminuíram de 1,891 bilhão de euros de dezembro de 2008 até 901 milhões de euros em setembro, devido à "venda sem recurso do direito de receber o déficit tarifário de Portugal (1,2 bilhão de euros)".
A dívida líquida da EDP aumentou de 13,9 bilhões de euros em 2008 para 14,4 bilhões de euros em setembro de 2009.
AvaliaçãoO presidente-executivo da empresa, António Mexia, afirmou nesta quinta-feira que os resultados da EDP foram "muito positivos no atual contexto do mercado" e que a companhia "teve os melhores resultados recorrentes de sua história".
"A EDP teve os melhores resultados recorrentes da sua história, [o que é] de assinalar face ao contexto mundial de redução da procura", ressaltou António Mexia.
O líder da companhia energética portuguesa explicou que, descartando os resultados extraordinários do ano passado (onde se incluía a diluição da participação da EDP na EDP renováveis, no valor de 405 milhões de euros), o lucro da firma teria crescido 9%.
Mexia falou durante a apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, onde a EDP apresentou um lucro de 748 milhões de euros, menos 20% do que no mesmo período de 2008.
"A companhia está a traduzir em resultados as políticas de gestão eficiente de capital e do perfil de baixo risco", afirmou, acrescentando que os resultados da empresa foram totalmente "distintivos do que é o setor a nível mundial".
O CEO destacou também que 93% do investimento total de janeiro a setembro (2,528 bilhões de euros) foram em capacidade de expansão.