Por Pedro Rosa Mendes, da Agência LusaParis, 30 out (Lusa) - O "made in Brazil" ideal na França pode ser como um trago de cachaça Leblon: cana açucareira de Minas Gerais, cortada à mão, destilada em alambiques tradicionais e envelhecida em cascos de conhaque "XO" (Extra Old).
"A garrafa também é importante", explica Philippe Mille, representante na Europa da Leblon Caipirinhas. "Tem uma forma elegante e a garganta fina permite que a garrafa seja agarrada por uma mão mais pequena, no caso de a
bartender ser uma menina".
O mestre-destilador da Leblon é um francês especialista em conhaque. As garrafas da cachaça Leblon também são fabricadas em território francês.
Quanto ao nome, "soa igual em qualquer língua", explica Philippe Mille a uma degustadora, que lhe perguntou "por que não Cachaça Ipanema?".
A Leblon é uma das marcas brasileiras presentes no 3º Salão do Brasil em Paris, que termina nesta sexta-feira na capital francesa, e uma das que ilustra melhor os objetivos da feira: exportar uma grife que associe exclusividade, sustentabilidade e
design.
"De há cinco ou seis anos para cá, houve um desenvolvimento de marcas de luxo brasileiras, mostrando que o Brasil não é só país de futebol e samba", afirmou Mille à Agência Lusa.
Costura, cachaça, vinho, calçado, são alguns dos setores em que marcas brasileiras se expandiram internacionalmente, acrescenta o francês, dando o exemplo "das nossas queridas (sandálias) Havaianas, que todo mundo conhece".
Nos grandes mercados em torno da Ópera Garnier, já é possível encontrar alguns produtos com marca brasileira, como é o caso da Leblon.
Para a maioria das empresas do Brasil, no entanto, a penetração no mercado francês e europeu é difícil. O Salão do Brasil em Paris "tenta abrir novas portas às pequenas empresas", explicou à Agência Lusa o senador Aldemir Santana, vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC) brasileira.
"Viemos a Paris para vendermos a imagem do Brasil, mostrar aquilo que temos de bom. E também procurar parcerias para penetrar nos mercados francês e europeu", resumiu o senador.
"O Brasil está aprendendo a administrar os recursos naturais e os produtos oriundos da floresta, que são as biojoias, um ponto de diferenciação dos produtos brasileiros", explicou o organizador do evento em Paris, José Luiz de Paula Jr.
Os produtos indígenas, de artesanato, joalheria ou cosmética, são uma presença forte num salão que trouxe a Paris mais de meia centena de empresas de diversos estados brasileiros.
"Morei no interior da Amazonas e conheço muitas das matérias-primas que usamos hoje, como as madeiras, as sementes, até o casco de tartaruga de cativeiro", certificadas por instituições de proteção ambiental e cultural, explica a artesã Rosa dos Anjos, no pavilhão da Etnia Amazônia.
Porém, o desafio no mercado estrangeiro é conseguir que o "made in Brazil", ao mesmo tempo ecológico e luxuoso, consiga uma imagem mais forte que as barreiras culturais e legais.
Mille dá, de novo, o exemplo da Leblon, que nos Estados Unidos tem que ser vendida como "rum brasileiro" por ser destilado de cana.
"Lançamos o movimento Legalize Cachaça, com uma Declaração de Independência da Cachaça", explica Mille. A declaração remete para a fundação da independência brasileira. Qualquer marca precisa de um "Ipiranga", conclui.