Lisboa, 30 out (Lusa) - O economista Vítor Bento afirmou nesta sexta-feira que Portugal teve, nos últimos dez anos, "o pior crescimento" registrado desde o período que foi de 1912 a 1921.
"Nesta última década nós tivemos o pior crescimento desde a década de 1912 a 1921, isto é, [para encontrarmos] uma década com o crescimento mais baixo do Produto Interno Bruto (PIB) temos que recuar a 1912 a 1921", afirmou o presidente da Sociedade Interbancária de Serviços (Sibs), em Lisboa.
Vítor Bento falou durante a apresentação do livro "A Economia no Futuro de Portugal", no Centro Cultural de Belém.
Este é o primeiro de cinco livros que serão lançados e que foram elaborados pela Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco (Saer), com a coordenação do ex-ministro das Finanças Ernâni Lopes.
Como Lopes, Vítor Bento acredita também que a ultima década em Portugal aponta para um crescimento anêmico, só comparável ao cenário da década de 1921.
O economista ressaltou que "os números falam por si" e reconheceu que muitas medidas falharam, mas, "em última instância, a responsabilidade deve ser atribuída à sociedade como um todo".
"Houve incentivos que foram dirigidos erradamente para setores de mais baixa produtividade, embora muito rentáveis para quem neles investiu", criticou Vítor Bento.
Para o financista, há um problema que "não foi curado devidamente", que é a questão da produtividade e o fato de a economia portuguesa não ter feito "uma forte aposta" na produção de bens comercializáveis, ou seja, sujeitos à concorrência externa, e não ter vencido a batalha da competitividade.