IPCA tem maior março desde 2005 e pode causar aumento de juros
Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Impulsionada principalmente por aumentos nos custos de alimentos, a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou no mês passado a maior taxa para um mês de março desde 2005 e superou as previsões dos analistas.
O IPCA subiu 0,48% em março, ante 0,49% em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Em março de 2007, a variação do IPCA havia sido de 0,37%.
O dado deve reforçar as previsões de que o Comitê de Política Monetária (Copom) optará por iniciar já na semana que vem um ciclo de aumentos de juros.
O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do país e baliza as metas do governo.
Analistas consultados pela agência de notícias Reuters esperavam inflação de cerca de 0,35%, com previsões variando de 0,28% a 0,46%.
Os preços do grupo "alimentos e bebidas" avançaram 0,89%, acima da alta de 0,60% de fevereiro, contribuindo com 0,2 ponto percentual da taxa do mês.
"Influenciado por aumentos nos preços da farinha de trigo, o principal destaque do grupo foi o pão francês, que ficou 4,24% mais caro", disse o IBGE em nota.
A inflação também foi pressionada por aumentos de tarifas de energia elétrica em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. As tarifas de água e esgoto também impactaram, devido a reajustes em Belo Horizonte e Brasília.
"Além disso, os preços do litro do álcool, que haviam caído 2,31% em fevereiro, ficaram 1,73% mais altos em março", acrescentou o instituto.
No primeiro trimestre, o IPCA acumulou alta de 1,52%. Nos últimos 12 meses, a variação é positiva em 4,73%, a maior em dois anos.