24/04/2008 - 09h28
Copom diz que continuará atuando com prudência

SÃO PAULO (Reuters) - Visando atuar sobre a perspectiva da inflação a fim de garantir previsibilidade aos agentes econômico e ressaltando o impacto da força da demanda doméstica sobre os preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa de juro neste mês e disse que continuará atuando com "prudência", segundo a ata da última reunião.
"A atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada", disse o Copom, no documento divulgado nesta quinta-feira.
O comitê ressaltou que seus movimentos terão impacto sobretudo no segundo semestre deste ano e em 2009.
"Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes."
Nas últimas semanas, as expectativas de inflação do mercado para este ano e o próximo vêm aumentando, inclusive superando o centro da meta de 2008. A inflação corrente também vem se mantendo pressionada, mas sobretudo devido a fatores sazonais e aumentos de alimentos.
"Visando consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, o Copom adota uma estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil... A prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo", acrescentou o documento.
Na semana passada, o Copom surpreendeu parte do mercado com uma alta mais agressiva da taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 11,75%.
Na ocasião e também agora na ata, o Banco Central disse que a decisão de fazer já "parte relevante" do ajuste contribuirá para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado.
PREOCUPAÇÕES
A ata enfatizou a preocupação do BC com a demanda interna em vários momentos, além de prever que o aumento do crédito e da massa salarial real continuarão atuando como estímulos.
"O ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelas transferências fiscais e pelo crescimento da renda e do crédito, continua colocando riscos para a dinâmica inflacionária", afirmou o Copom.
Os sinais de aquecimento da atividade alimentam o risco para "a concretização de um cenário inflacionário benigno".
"O Copom considera, também, que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas tende a aumentar o risco para a dinâmica inflacionária."
O comitê do BC manteve em zero a previsão para o reajuste do preço da gasolina neste ano. O prognóstico para os preços administrados também foi mantido, em 4% neste ano.
(Reportagem de Vanessa Stelzer; edição de Alexandre Caverni)