11/06/2008 - 15h13
Inflação sobe no mundo e desafia bancos centrais

Por Neil Fullick e Paul Carrel
CINGAPURA/BERLIM (Reuters) - A inflação subiu em maio nas principais economias da Ásia, Europa e América Latina, acompanhando o avanço rápido dos custos de energia e alimentos e representando um complicado desafio para os bancos centrais que tentam conter a pressão inflacionária global.
O crescimento acentuado dos preços das matérias-primas em maio levou a inflação no atacado para o maior nível em 27 anos no Japão e para o maior patamar em quase quatro anos na China.
O banco central da Índia elevou inesperadamente a taxa básica de juro em 0,25 ponto percentual, para 8% ao ano, em uma tentativa de controlar a inflação. Foi o primeiro aumento desde março de 2007.
Em Paris, Christian Noyer, membro do Conselho Diretor do BCE, disse que os mercados financeiros tiraram as conclusões certas dos comentários do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, sobre a possibilidade dos juros subirem já em julho.
"Eu acho que o mercado entendeu bem o sinal que foi dado sobre a possibilidade de um aumento do juro no próximo mês --e eu digo possibilidade, não certeza, porque nós nunca nos comprometemos de forma incondicional", afirmou Noyer.
Na semana passada, o BCE manteve o juro em 4%.
Alguns governos têm anunciado planos para tentar combater a inflação. No Kuwait, o governo apresentou uma proposta para reduzir a tributação de alimentos importados e aumentar os subsídios. Na Malásia, o primeiro-ministro descartou novos aumentos dos combustíveis neste ano.
Em uma nova evidência de pressões inflacionárias na zona do euro, a Espanha anunciou que a inflação ao consumidor em termos anuais saltou para o maior nível em 13 anos, 4,6% em maio. Na França, a inflação harmonizada com a zona do euro subiu para 3,7%, maior taxa desde o início da série história, em 1997.
"A inflação vai continuar alta nos próximos meses, ainda não atingimos o pico", disse Olivier Gasnier, economista do Société Générale, sobre os dados franceses.
A alta das matéria-primas mudou nas últimas semanas o foco dos bancos centrais. Se antes o assunto era o crescimento econômico, agora é a ameaça de uma alta global da inflação.
A maior necessidade de enfrentar a inflação foi destacada nesta semana pelo chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, que disse que a missão do Fed é controlar as expectativas de inflação ao consumidor.
"A última rodada de aumentos nos preços de energia aumentou o risco para o cenário de inflação e as expectativas de inflação", disse.
BC Europeu
Apesar do aumento dos preços, Noyer e seu colega no BCE Juergen Stark derrubaram a expectativa do mercado por uma série de altas do juro. Noyer, que chefia o Banco da França, disse que a especulação sobre o comportamento do BCE é prematura.
O aumento no custo de vida também é tema no Brasil, onde os preços ao consumidor subiram em maio à maior taxa em mais de três anos. O resultado consolidou as expectativas de que o Banco Central tenha que subir mais os juros.
(Reportagem adicional de Estelle Shirbon em Paris, Andrew Hay em Madri, Yuzo Saeki em Tóquio e Simon Rabinovitch e Eadier Chen em Pequim)