BERLIM/TÓQUIO (Reuters) - Bancos centrais injetaram um grande volume de recursos nos mercados financeiros globais pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira, para tentar conter os efeitos colaterais da crise que afetou grandes companhias de Wall Street.
De Sydney a Frankfurt, as autoridades monetárias despejaram bilhões de dólares em fundos emergenciais para tentar evitar o fechamento dos mercados de crédito, mas mesmo assim o movimento não conseguiu impedir o aumento do custo dos empréstimos interbancários.
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Federal Reserve (Fed, banco central americano) disponibilizou US$ 70 bilhões para ajudar as instituições financeiras em crise, repetindo a mesma quantia desta segunda-feira. São os maiores volumes diários desde setembro de 2001, pouco após os ataques terroristas em Nova York e Washington.
O Banco Central Europeu (BCE) colocou 70 bilhões de euros (US$ 98,09 bilhões) no mercado nesta terça, seguindo a injeção de 30 bilhões de euros feita na véspera.
A demanda dos bancos por fundos nesta terça-feira, o que indica como a liquidez de outras fontes está diminuindo, superou os 100 bilhões de euros.
Na Grã-Bretanha, o Banco da Inglaterra injetou 20 bilhões de libras (US$ 35,21 bilhões), depois de ter colocado no mercado 5 bilhões de libras na segunda-feira.
Os bancos centrais na Ásia também entraram em ação. No Japão, Austrália e na Índia, os BCs fizeram fortes injeções de recursos.
Os bancos da região distribuíram cerca de US$ 17 bilhões, seguindo a injeção de US$ 70 bilhões do Federal Reserve feita na segunda-feira.
O Banco do Japão colocou no sistema bancário sua maior injeção de capital em quase seis meses -1,5 trilhão de ienes (US$ 14,2 bilhões).
"O Banco do Japão vai monitorar cuidadosamente a situação recente das instituições financeiras dos EUA e seu impacto", afirmou o presidente da instituição, Masaaki Shirakawa, em comunicado.
A expectativa é de que o BC japonês mantenha sua meta para a taxa básica de juro em 0,5% na quarta-feira.
Em contraste, os mercados estão precificando 88% de chances de uma redução de 25 pontos percentuais na taxa básica de juro dos EUA, para 1,75%.
Na Indonésia, o BC reduziu em 200 pontos-básicos, para 10,25%, a taxa de juro cobrada dos bancos que precisam se financiar com a autoridade monetária, para tentar aumentar a liquidez do mercado. A taxa básica de juro foi mantida em 9,25%.
O Banco Central da Índia colocou quase US$ 1,32 bilhão através de uma operação de refinanciamento, sua maior injeção em cerca de um mês.
Os BCs em Hong Kong, Coréia do Sul, Taiwan e Nova Zelândia ofereceram suporte verbal para os mercados. O mesmo aconteceu em Paris, Berlim e Roma, onde os bancos centrais divulgaram comunicados afirmando que as instituições financeiras em seus países devem sofrer impacto limitado por conta dos eventos nos Estados Unidos.
(Reportagem adicional dos correspondentes na Ásia e na Europa)