Dólar comercial1,2760% R$ 1,7480
Dólar paralelo0,0000% R$ 1,9200

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de câmbio recebeu mais de US$ 4 bilhões nas duas primeiras semanas de setembro, informou o Banco Central nesta quarta-feira, reforçando a tese de que a alta do dólar no período teve fundo especulativo, e não sustentada por saídas de moeda.
O país registrou superávit de US$ 4,329 bilhões no fluxo cambial do mês até o dia 12. O resultado se deve principalmente ao saldo positivo de US$ 3,605 de dólares nas operações comerciais, mas mesmo as operações financeiras tiveram superávit, com entrada de US$ 725 milhões.
No período, a moeda norte-americana subiu 9%, e o Banco Central deixou de comprar dólares no mercado. Nesta semana, com a intensificação da crise externa, o dólar já se aproxima de R$ 1,90, no maior nível em um ano.
Para Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, os dados comprovam que a especulação no mercado de derivativos cambiais é o principal motor da alta. "Não existe nenhuma demanda acentuada" por dólares no mercado, disse.
"Com esse tumulto na segunda-feira (com o colapso do banco de investimento Lehman Brothers), criou-se um clima para dar outra puxada no dólar. Mas você vê que, no fluxo, isso realmente não tem sustentação."
De acordo com dados mais recentes da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros mantinham mais de US$ 5 bilhões em posições compradas em derivativos cambiais -o que equivale a uma aposta na alta do dólar.
A entrada de moeda afasta também a idéia de que o Banco Central poderia atuar no mercado vendendo dólares para tentar conter a alta da moeda. "Não existe nenhum sinal de falta de liquidez no mercado", disse Nehme.
Em agosto, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 1,944 bilhão. No ano, o país registra entrada líquida de US$ 18,714 bilhões.
(Reportagem de Silvio Cascione)
R$ 1,748 1,27%