BRASÍLIA (Reuters) - O Banco do Brasil anunciou nesta segunda-feira que está ampliando a oferta de crédito às pessoas físicas em R$ 13 bilhões, ao aumentar os limites de empréstimos de 10 milhões de clientes.
Além disso, o banco reduziu o juro cobrado em nove linhas de crédito para pessoas físicas, em média, em 6,19%. Além de crédito automático e consignado, as linhas com menor juros são destinadas à compra de material de construção, de produtos da linha branca e automóveis.
Apesar da ampliação do crédito, a instituição financeira manteve a previsão de expansão da carteira de crédito nesse segmento entre 23% e 25% em 2009.
"A decisão do Banco do Brasil de aumentar os limites de crédito de seus clientes está em sintonia com o cenário econômico que aponta para queda consistente na taxa Selic, progressiva retomada da atividade econômica e estabilidade da inadimplência no BB, que tem se comportado historicamente abaixo da média do sistema financeiro nacional", segundo o banco.
O vice-presidente de Crédito, Controladoria e Risco Global do BB, Ricardo Flores, afirmou nesta segunda-feira que a instituição acelerou a divulgação da medida, mas negou pressão política.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocou o comando do BB no início do mês passado, em meio ao esforço do governo para que o banco estatal atue mais agressivamente na redução do spread bancário -a diferença entre o que um banco paga para captar recursos e a taxa que cobra do tomador final.
"Trata-se de uma decisão autônoma do banco, assentada em critérios técnicos dentro da boa prática bancária", disse Flores em entrevista coletiva.
De acordo com o executivo, a oferta de até R$ 13 bilhões adicionais em crédito à pessoa física -dos quais R$ 3 bilhões devem ser tomados em até 12 meses- foi possível devido à adoção de uma nova metodologia pelo BB, a qual considera o perfil de risco e a propensão de consumo dos clientes.
"A taxa de inadimplência está absolutamente sob controle", afirmou. "Todas as projeções e informações dadas ao mercado estão preservadas. São clientes com o risco bem calculado, de maneira que a gente mantenha o nosso nível de exposição a risco nos patamares atuais."
Segundo o BB, o seu nível de inadimplência de 90 dias é de 5,9% do total das operações de crédito no varejo, abaixo da média de 8,3% do sistema financeiro nesse segmento.
Em março deste ano, a carteira de crédito de pessoas físicas do BB totalizava R$ 61,1 bilhões, com 30 milhões de clientes.
Diferentemente da ampliação do limite de crédito, a redução das taxas de juros vale para toda a base de clientes da instituição.
(Por Fernando Exman)