07/11/2007 - 09h59
Lucro da Gol recua 78,7% no terceiro trimestre afetado por aumento nos custos e baixa demanda

SÃO PAULO - A Gol anunciou há pouco uma queda de 78,7% em seu lucro líquido no terceiro trimestre, para R$ 49,41 milhões, ante R$ 232,23 milhões em igual período do ano passado. O resultado é reflexo do aumento nos custos da companhia e de uma oferta crescendo mais rapidamente entre julho e setembro que a demanda, especialmente em agosto.
O volume de passageiros pagantes na companhia consolidada (levando em consideração a subsidiária Varig) aumentou 15,7%, para 5,54 milhões. Com isso, a receita operacional líquida da empresa aumentou 18,7%, para R$ 1,28 bilhão no trimestre.
Embora a Gol tenha registrado queda de 12,8% no custo unitário (medido pelo custo por assento por quilômetro voado, CASK), no total, as despesas operacionais aumentaram 49,3% no trimestre, chegando a R$ 1,26 bilhão.
Nas três linhas que mais pesam no custo da empresa - combustíveis, pessoal e arrendamento de aviões - as altas foram bastante significativas no terceiro trimestre. Elas tiveram aumento, respectivamente, de 38,4%, 79,3% e 58,6% ante igual período de 2006.
Segundo a Gol, a elevação nos gastos com pessoal foi causado principalmente por aumentos de salário e no número de funcionários. Do terceiro trimestre de 2006 para o mesmo período deste ano, aumentou sua força de trabalho em 79,4%, reflexo do aumento de suas operações e da incorporação da Varig.
No trimestre, apenas o gasto com distribuição e publicidade teve queda, baixando 21,5% ante igual período do ano passado, para R$ 98,96 milhões. A Gol observou que isso foi conseguido pela redução nos pagamentos de comissões a agentes de viagem e na publicidade e pelo crescimento das vendas de passagens pela internet. No trimestre, 78,6% dos bilhetes foram adquiridos pelo site da companhia.
Entre julho e setembro, a empresa ainda adicionou 14 novas freqüências à sua malha e cinco aeronaves Boeing 737 e uma 767 à sua frota. Com isso, obteve aumento de 71,6% na oferta unitária (medida por assento por quilômetro voado, ASK).
Em contrapartida, o crescimento na demanda unitária (medida por passageiros pagantes por quilômetro voado, RPK), foi de apenas 33,2% no trimestre. Com isso, a taxa média de ocupação das aeronaves caiu 17,6 pontos percentuais, para 61,2%, e a lucratividade (yield) recuou 11,7%, para R$ 0,2173 por passageiros por quilômetro voado.
A aérea explicou que a queda no yield foi causada, principalmente, pela elevação de 18,6% na etapa média (distância entre origem e destino) dos vôos no trimestre. Além disso, em agosto, por conta de novos episódios na crise aérea nacional, a empresa registrou uma forte queda na demanda, o que derrubou a ocupação média.
Ainda assim, a Gol permanece otimista, conforme seu presidente. "A implementação das medidas tomadas pelas empresas e pelo governo no terceiro trimestre representam o compromisso de longo prazo da indústria de investir em infra-estrutura para suportar o crescimento do transporte aéreo no Brasil", disse Constantino de Oliveira Júnior, referindo-se principalmente às mudanças na malha aérea na região de São Paulo.
(José Sergio Osse | Valor Online)