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21/11/2007 - 07h58

Análise: Dólar no menor nível em relação ao euro

SÃO PAULO - As especulações de que o Fed, o banco central americano, iria aproveitar a divulgação das suas novas estimativas econômicas e da ata de sua reunião de outubro, no final da tarde de ontem, para fazer um corte emergencial nos juros básicos americanos dos fed funds derrubaram a moeda americana para sua menor cotação histórica em relação ao euro. O dólar desvalorizou-se 0,9%, para US$ 1,4797 por euro, e 0,7% em relação à moeda britânica, para US$ 2,0640 por libra esterlina.

A próxima reunião regular do comitê do Fed, que vai decidir sobre os juros básicos, está marcada para o dia 11 de dezembro, mas o mercado acreditava que, diante da piora da crise de crédito em novembro, um novo corte seria plausível. A queda nos juros básicos americanos torna os investimentos em dólar menos atrativos em relação a outras moedas de juros mais altos. A crise de crédito está tão feia que, no dia 15 último, o Fed teve de injetar US$ 47 bilhões no mercado monetário americano, o maior valor desde setembro de 2001, quando o atentado terrorista que destruiu as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York parou os mercados financeiros.

No final do dia de ontem, porém, o Fed não cortou os juros. Mas, os analistas passaram a apostar com mais força que ele vai reduzir as taxas em dezembro. O Fed reduziu as projeções de crescimento econômico dos EUA para 2008 de 2,75% a 2,5% para níveis de 1,8% a 2,5% e previu que o desemprego vai passar para 4,8% a 4,9%, em relação aos 4,7% atuais. As estimativas de inflação moderada no próximo ano e 2009 reforçaram ainda mais as apostas de corte nos juros, em um dia no qual os preços do petróleo chegaram a US$ 98 o barril.

Ontem, o mercado futuro sinalizava probabilidade de 92% de redução de 0,25 ponto percentual nos juros dos "fed funds" em dezembro, para 4,25% ao ano, na comparação com 72% há um mês. David Rosenberg, analista chefe da Merrill Lynch para a América do Norte, reforçou essas expectativas ao divulgar relatório no qual prevê corte nos juros dos "fed funds" para 2% no final do segundo trimestre de 2009. Em setembro, os "fed funds" foram reduzidos em 0,5 ponto percentual e em outubro, mais 0,25 ponto, mas a crise de crédito continua.

Diante do debate sobre o corte de juros, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos tiveram forte volatilidade. Pela manhã, a aversão ao risco cresceu, por causa dos rumores de que a Countrywide Financial, a maior financeira do setor imobiliário nos Estados Unidos, estaria se preparando para pedir falência, o que foi negado no decorrer do dia. As perdas de US$ 2 bilhões da empresa de hipotecas patrocinada pelo governo Freddie Mac contribuíram para ampliar a aversão ao risco, que torna maior a compra de papéis do tesouro americano e reduz suas taxas.

No final do dia, a versão de que o Fed vai cortar juros ganhou força e o mercado se acalmou. Os juros dos papéis de vencimento em dez anos foram a 4,098% ao ano, na comparação com os 4,073% de anteontem.

Na Ásia, a estabilidade dos mercados de renda variável pressionou o iene para baixo, já que houve maior apetite por investimentos de risco. As operações de "carry trade", por meio dos quais os investidores se financiam em moedas de juros baixos, como o iene, e aplicam em moedas de juros mais altos, ficando com o risco cambial, voltaram a acontecer. A moeda japonesa desvalorizou-se 0,3%, para 110,10 ienes por dólar, e 1,1% em relação ao euro, para 162,88 ienes.

O mercado brasileiro ficou fechado, por causa do feriado do Dia da Consciência Negra. Mas o risco-Brasil negociado no mercado internacional continuou sua rota de alta. Subiu mais 2,29%, para 111,5 pontos básicos, segundo o prêmio do "swap" de crédito de vencimento em cinco anos do Brasil. No mês, a alta é de 35,98%.

(Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico)

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