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21/01/2008 - 15h53

Temor de crise faz bolsas européias terem pior dia desde ataque às Torres Gêmeas

SÃO PAULO - As preocupações com o impacto das turbulências financeiras nos balanços das empresas e a decepção dos investidores com a proposta apresentada na sexta-feira passada pelo presidente americano George W. Bush para aquecer a economia dos Estados Unidos afetaram os negócios nas principais bolsas européias. Hoje foi o pior dia para os mercados desde o atentado que derrubou o World Trade Center, em 11 de setembro de 2001. A queda acentuada dos índices futuros do mercado americano também influenciou negativamente os negócios.

O ceticismo não tomou conta só das praças acionárias da Europa. Na Ásia e na América Latina, os mercados também trabalham com perdas significativas. Os agentes estão aturdidos com a possibilidade cada vez maior de uma recessão nos Estados Unidos.

Na semana passada, Bush propôs as linhas gerais de um plano de estímulo fiscal de ao menos US$ 140 bilhões envolvendo alívio de impostos para consumidores e empresas. Segundo o governo dos EUA, a proposta pode salvar ou proteger 500 mil empregos.

No fim de semana, o presidente americano pediu que o Congresso aja sem demora no pacote de incentivo fiscal, notando que a aprovação desse plano é prioridade na área da economia.

Para muitos analistas, no entanto, a proposta não é suficiente para esquentar a economia dos Estados Unidos. Essa percepção derrubou os índices acionários de Wall Street na sexta-feira e essa queda influenciou negativamente os pregões em todo o mundo hoje. A situação ficou ainda pior porque os mercados em Nova York estão fechados hoje por feriado. Assim, as demais bolsas mundiais operam no escuro, orientadas apenas pela queda dos índices futuros de seu principal referencial.

Em Londres, o FTSE-100 fechou com baixa de 5,5%, para 5.578,20 pontos. O DAX, de Frankfurt, terminou com 6.790,19 pontos, em queda de 7,2%. Em Paris, o CAC 40, tombou 6,8%, para 4.744,45 pontos.

Afetado pelo temor de que a crise financeira ainda provocará fortes perdas para bancos, corretoras e seguradoras, o setor financeiro puxou as baixas nas bolsas européias. Em Londres, o Barclays recuou 6,5%. Frankfurt, o Deutsche Bank perdeu 7,3% e a Allianz despencou 10%. Em Paris, as ações do BNP Paribas perderam 9,6% e as do Credit Agricole caíram 9%.

Entre os mercados latino-americanos, o indicador Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), declinava 6,95% e o Merval, da Argentina, diminuía 6,42%.

No encerramento desta jornada na Ásia, o Nikkei 225 recuou 3,86%, para 13325,94 pontos, o nível mais baixo desde 25 de outubro de 2005. Em Hong Kong e Xangai, as quedas foram maiores, de mais de 5%.

(Valor Online)

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