28/01/2008 - 14h34
Ajustado a fatores não-recorrentes, lucro do Bradesco no 4º trimestre foi de R$ 1,85 bilhão

SÃO PAULO - O Bradesco publicou hoje um lucro líquido de R$ 2,193 bilhões para o quarto trimestre de 2007, valor que representa um crescimento de 28,77% em relação ao mesmo período do ano anterior. Porém, se ajustado a fatores considerados não-recorrentes, o lucro do banco no período ficou em R$ 1,854 bilhão, com alta de 14,44% sobre o último trimestre de 2006. A regra também vale para o resultado acumulado de 2007 que, ajustado, passa dos R$ 8,01 bilhões publicados para R$ 7,21 bilhões.
A análise do lucro líquido ajustado é importante para se ter uma visão mais específica do desempenho do banco em sua área de atuação principal, que é a concessão de crédito e de serviços bancários.
No caso do quarto trimestre do ano passado, a diferença de R$ 339 milhões entre o ganho publicado e o ajustado é explicada pela relação entre receitas e despesas extraordinárias. No período, o Bradesco obteve receitas extras de R$ 805 milhões, sendo R$ 405 milhões oriundos da venda de sua participação na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF). O restante veio da ativação de um crédito tributário, no valor de R$ 300 milhões, da alienação de outros investimentos (R$ 64 milhões) e de "outros" fatores (R$ 36 milhões).
Na ponta inversa, as despesas não-recorrentes somaram R$ 466 milhões, compostas por provisões cíveis e trabalhistas, que somaram R$ 306 milhões, e pela amortização de ágios, de R$ 140 milhões. Há também efeitos fiscais da ordem de R$ 20 milhões.
Se considerado todo o ano de 2007, a diferença de R$ 800 milhões entre os lucros publicado e ajustado reflete receitas extras de R$ 2,302 bilhões contra despesas de R$ 1,502 bilhão. No campo das receitas, houve R$ 1,017 bilhão embolsados pelo banco com vendas de participações, R$ 718 milhões com créditos tributários e R$ 480 milhões com a venda de fatias em Bovespa e BMF, além de R$ 87 milhões alocados em "outros". As despesas não-recorrentes vieram de amortização de ágio (R$ 953 milhões), provisões cíveis e trabalhistas (R$ 506 milhões) e efeitos fiscais (R$ 43 milhões).
(Murillo Camarotto | Valor Online)