05/05/2008 - 19h11
Crescimento pode recuar com alta de juro e queda maior do dólar após grau de investimento, diz CNI

BRASÍLIA - A dupla influência da alta dos juros e da valorização adicional do real sobre o dólar americano, esperada após o selo de grau de investimento ao Brasil, pode amortecer o ritmo de crescimento industrial neste segundo trimestre. A opinião é do economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.
"É possível um certo amortecimento por efeito da alta dos juros, e alguns setores mais sensíveis ao câmbio como vestuário, calçados e movelaria podem registrar um descompasso maior com aumento das importações", comentou.
Segundo ele, mesmo que o Banco Central (BC) aponte uma defasagem entre três e seis meses para o efeito de aperto na política monetária sobre o setor produtivo, é de se esperar um ressentimento mais rápido da economia real, "porque o próprio Banco Central avisou que vêm mais altas do juro por aí."
No mês passado, o BC elevou a taxa básica Selic em meio ponto percentual, para 11,75% ao ano, e alertou que novos aumentos poderão ocorrer para controle da inflação. "A alta do juro nunca é positiva para o setor produtivo, apesar dos sinais do Banco Central de que a escalada será mais rápida e mais concentrada", comentou o economista.
Para ele, a perspectiva de uma queda ainda maior no preço do real frente ao dólar deverá "colocar em cheque" a competitividade de alguns setores industriais, diante da tendência de que as importações, já elevadas, se intensifiquem ainda mais.
Ele destacou que setores mais afetados, como madeira, couro e calçados e têxtil amargaram contração nos últimos três anos, quando a valorização do real se instalou. E os indicadores do primeiro trimestre já apontaram variações mais "tímidas" e até retração nas vendas desses setores, como por exemplo, calçados e vestuário, que cresceram 0,1 ponto percentual cada um sobre igual período anterior, sem contar o setor madeireiro, que teve queda de 0,1 ponto.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)