11/06/2008 - 13h32
Mercados: Bovespa cai pelo quarto dia seguido; dólar recua 0,24%, para R$ 1,643

SÃO PAULO - Alinhada ao pessimismo internacional, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra o quarto pregão consecutivo de baixa. Por volta das 13h20, o Ibovespa caía 0,89%, para 67.171 pontos, com giro financeiro em R$ 2,88 bilhões.
O índice ensaiou uma recuperação no começo dos negócios, mas a queda nos índices em Wall Street impediu a tentativa de retomada. Há pouco, Dow Jones perdia 1,07%, enquanto a Nasdaq recuava 1,19%.
Depois de um passeio pelo território positivo, o dólar retoma o movimento de baixa ante o real. Há pouco, a moeda valia R$ 1,643 na venda, queda de 0,24%.
O assunto dominante é a inflação e os agentes já acompanham uma rodada de aperto monetário ao redor do mundo como resposta à disparada dos preços. Na Ásia, a China já decretou dois aumento no compulsório e, hoje, a Índia anunciou a primeira elevação de juros em 15 meses. O Banco Central Europeu (BCE) já sinalizou a possibilidade de juros maiores. E, nos Estados Unidos, o mercado futuro já aponta para a possibilidade de aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed) banco central norte-americano.
Por aqui, o Banco Central já promoveu duas altas na Selic, agora fixada em 12,25% ao ano, mas depois da alta expressiva da inflação oficial em maio, cresce a visão de que a autoridade monetária terá que ser mais agressiva para controlar as expectativas.
Segundo o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, a preocupação geral com a inflação desestimula o investidor, que aproveita o ambiente negativo para realizar lucros.
Para o especialista, os preços seguirão pressionados até setembro, e, quanto mais a inflação incomoda, cresce o desconforto com o rumo das taxas de juros no país. Para Marcellino, a atuação do Banco Central no aperto monetário tem efeito limitado sobre a inflação e o ajuste teria que vir também com um maior ajuste fiscal, não só pelo governo federal, mas também de estados e municípios.
Apesar da piora de humor dos últimos dias, o diretor acredita que tal realização de lucros é salutar, pois ajuda a Bovespa a tomar fôlego para retomar a trajetória de alta no médio e longo prazo.
No âmbito corporativo, as ações da Vale ocupam o destaque de venda pelo quarto pregão consecutivo. As ações reagem ao anúncio de emissão de US$ 15 bilhões em novas ações e os rumores de que a companhia se prepara para uma grande aquisição internacional. Há pouco, o papel PNA caía 1,39%, para R$ 47,94, enquanto o ON se desvalorizava 2,38%, para R$ 57,01. Em quatro dias a ação PNA já perdeu mais de 9%.
O petróleo em alta impede uma queda acentuada das ações da Petrobras, mas o sentimento negativo segura uma valorização sustentada do ativo. O papel PN da estatal ganhava 0,21%, para R$ 46,10.
Queda acentuada para o ativo PN da Gerdau, que recuava 5,01%, para R$ 78,00. Usiminas PNA tinha desvalorização de 1,40%, para R$ 83,31, e CSN ON caía 1,58%, para R$ 74,11.
Os bancos também continuam perdendo valor. O papel PN do Itaú recuava 1,12%, para R$ 35,10, Bradesco PN se desvalorizava 2,42%, para R$ 34,95, e as units do Unibanco perdiam 2,75%, para R$ 22,22.
Na ponta compradora destaque para os ativos da Eletrobrás. O papel PNB subia 2,33%, para R$ 26,30, enquanto o ativo ON ganhava 2,03%, para R$ 30,10. Bom desempenho também para Sadia PN, com alta de 2,95%, para R$ 12,54.
(Eduardo Campos | Valor Online)