09/07/2008 - 11h21
Com inflação em alta, CNI reduz projeção para o PIB em 2008 e teme por 2009

SÃO PAULO - Diante do cenário de alta da inflação, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou hoje de 5% para 4,7% a sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008. De acordo com a entidade, a estimativa está baseada em " um arrefecimento da demanda interna no segundo semestre " e só não foi mais baixa " devido às forças inerciais do crescimento " .
Mesmo reduzindo sua estimativa para o PIB, a CNI acredita que o a inflação deste ano colocará freios ainda maiores sobre o crescimento econômico de 2009. A projeção da entidade para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que era de 4,7%, passou para 6,4%, já encostada no teto da meta estipulada pelo Banco Central (BC).
Diante desse desenho, a CNI avaliou como " uma ajuda importante " a elevação do superávit primário para 4,3% do PIB, pois a medida seria uma forma de " dividir " com o BC o ônus do combate à expansão inflacionária, diminuindo a necessidade de alta dos juros. Mesmo assim, a entidade prevê que a Selic poderá chegar a dezembro em 14,25% ao ano, contra os 12,25% atuais.
A confederação demonstra, ainda, preocupação quanto aos efeitos do combate à inflação sobre o PIB. " O desafio está em controlar a alta (da inflação) com o menor dano ao crescimento " , diz o relatório da CNI. A entidade espera, por exemplo, que a taxa de desemprego esteja em 6,7% no mês de dezembro, perfazendo uma média anual de 8%.
Por fim, a CNI também relata que a concessão do grau de investimento para o Brasil, bem como a elevação dos juros, tornaram o país ainda mais atrativo para o ingresso de capital externo, o que impacta significativamente o câmbio, valorizando o real ante o dólar. Diante disso, a entidade projeta uma redução de quase 50% na balança comercial de 2008, cujo saldo deve se situar na casa dos US$ 20 bilhões.
(Murillo Camarotto | Valor Online)