SÃO PAULO - O Tesouro americano anunciou ontem intervenção nas gigantes do setor hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac. Pelo plano, as duas companhias ficarão sob o controle do governo por tempo indeterminado, com a substituição dos executivos-chefes de ambas companhias e com um investimento de US$ 200 bilhões nas duas financiadoras de empréstimos imobiliários para mantê-las solventes. A operação é considerada o maior socorro do governo na história dos Estados Unidos.
"Uma quebra [da Fannie e Freddie] afetaria a capacidade dos americanos em obter empréstimos hipotecários, empréstimos para comprar veículos e outros créditos ao consumidor e finanças corporativas", observou o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, em conversa com a imprensa em Washington. "E uma quebra seria prejudicial ao crescimento econômico e à criação de vagas", completou.
O executivo-chefe da Fannie Mae, Daniel Mudd, e o da Freddie Mac, Richard Syron, não estão mais à frente das respectivas empresas.
A Agência Federal de Financiamento Imobiliário, ou FHFA, assumirá o controle dos conselhos de ambas e Mudd e Syron serão trocados, respectivamente, por dois veteranos do setor financeiro -Herb Allison, ex-presidente e diretor-executivo da firma de investimento TIAA-CREF e ex-presidente do Merrill Lynch, e David Moffett, que foi vice-presidente e diretor financeiro do banco U.S. Bancorp até o início de 2007 e depois se juntou à empresa de private equity Carlyle Group como conselheiro sênior.
O Tesouro, com a FHFA, comprará ações preferenciais na Fannie e Freddie e pode fazer empréstimos a elas e a 12 bancos federais de crédito imobiliário. Os dividendos para ações preferenciais e ordinárias serão eliminados em um esforço para conservar cerca de US$ 2 bilhões ao ano.
Ao acordar em apoiar as gigantes, o governo informou que deve receber US$ 1 bilhão em ações preferenciais de cada companhia e o Tesouro terá o direito de deter 79,9% das empresas.
Vale notar que a Fannie Mae e a Freddie Mac são importantes para o mercado imobiliário americano, pois têm em carteira ou garantem quase metade das hipotecas existentes no país -mais de US$ 5 trilhões.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, considerou a iniciativa anunciada ontem como vital para a recuperação do mercado imobiliário do país.
"Os americanos devem confiar que as ações tomadas fortalecerão a capacidade de lidar com a correção no segmento imobiliário e são importantes para colocar a economia de volta ao crescimento sustentado mais forte", ressaltou.
O titular do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, aprovou a ação do Tesouro. "Essas ações necessárias ajudarão a fortalecer o mercado imobiliário dos Estados Unidos e a promover a estabilidade em nossos mercados financeiros", comentou.
(Juliana Cardoso | Valor Online, com agências internacionais)