19/11/2008 - 08h39
Montadoras nos EUA vão atrás de socorro; legisladores estão reticentes

SÃO PAULO - Representantes das três maiores montadoras dos Estados Unidos pediram ontem ajuda governamental emergencial para evitar um possível colapso. Após horas de um intenso debate, o discurso deles não parece ter convencido suficientemente os legisladores americanos para que se movimentem rapidamente pelo socorro.
A indústria automobilística está pressionando os congressistas dos EUA por um empréstimo de US$ 25 bilhões do pacote de US$ 700 bilhões aprovado para o setor financeiro. O senador republicano Michael Enzi, de Wyoming, avaliou, contudo, que não tem certeza de que a ajuda irá funcionar. "Existe pouca chance de que US$ 25 bilhões fará algo para promover o sucesso no longo prazo", observou.
O senador democrata Robert Casey discorda. "Não podemos perder centenas de empregos. "O que é uma recessão pode virar uma depressão se essas companhias falharem nos próximos meses", completou.
O setor automobilístico e alguns especialistas alegam que, sem o socorro federal, a General Motors (GM) poderia pedir proteção contra credores em questão de meses, seguida pela Ford e Chrysler. Essas três montadoras avaliam que podem ficar sem recursos até o fim do ano.
"Sem um suporte financeiro imediato, a liquidez da Chrysler pode ficar abaixo do nível necessário para sustentar as operações", declarou o presidente da empresa, Robert L. Nardelli.
Na audiência, os executivos das montadoras revelaram quanto precisariam se o pacote de empréstimo de US$ 25 bilhões passar pelo Congresso - de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões para a GM, US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões para a Ford e US$ 7 bilhões para a Chrysler.
As companhias disseram que poderiam usar os recursos para pagar seus funcionários, cobrir os custos operacionais correntes e desenvolvimento de produtos.
Ainda ontem, o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, comentou durante audiência na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara, que o colapso de uma das montadoras deveria ser evitado, mas notou que dar acesso a indústria aos US$ 700 bilhões não é a resposta. "Não vejo isso como o propósito do programa de socorro", comentou.
(Juliana Cardoso | Valor Online, com agências internacionais)