03/07/2009 - 18h21
Bovespa cai no dia e na semana; agentes temem realização de lucros

SÃO PAULO - Com o feriado nos mercados dos Estados Unidos, o pregão desta sexta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi pouco expressivo. O Ibovespa oscilou apenas 253 pontos entre a máxima e a mínima, e o volume transacionado somou apenas R$ 1,66 bilhão. Foi o menor giro desde 25 de maio, dia que também foi afetado por feriado em Wall Street.
Ao final do dia, o índice apontava baixa de 0,18%, aos 50.934 pontos. Já na semana, o principal referencial do mercado acionário brasileiro perdeu 1,07%.
Segundo o analista da Corretora Geral, Ivanor Torres, os investidores ficam retraídos sem o referencial externo e o que resta é aguardar a segunda-feira para formar novas posições.
Deixando de lado o pregão de hoje, Torres aponta que o mercado opera na expectativa de uma realização dos lucros acumulados no primeiro semestre - algo sinalizado pelos analistas gráficos, que não descartam uma queda do índice até os 44 mil ou 45 mil pontos.
Além disso, pelo lado dos fundamentos, existem outros fatores preocupantes, como dados nada animadores de países desenvolvidos, confirmando que a desaceleração econômica não terminou.
Ainda de acordo com Torres, há também outros desdobramentos da crise que ainda devem aparecer no resultado das empresas, que em breve apresentam os balanços do segundo trimestre.
" Como a percepção de futuro piorou nessas últimas semanas é claro que o mercado se retraiu também " , explica Torres, lembrando que os meses de junho, julho e agosto são historicamente negativos para a bolsa em função da menor atividade do investidor estrangeiro.
Mas o analista se mostra particularmente otimista, acreditando que o Ibovespa deve continuar oscilando entre os 50 mil e 55 mil pontos.
No lado corporativo, os agentes seguiram desfazendo posição em Petrobras. O papel PN liderou o volume negociado caindo 0,73%, para R$ 31,01. Vale PNA também fechou em baixa, recuando 0,43%, a R$ 29,92. Com o terceiro maior volume do índice, Usiminas PNA desvalorizou 1,38%, a R$ 40,73.
Os destaques do pregão não ficaram na primeira linha. Duratex PN garantiu alta de 5,80%, para R$ 22,79. No setor de alimentos, Sadia PN aumentou 4,26%, a R$ 5,13, e Perdigão ON avançou 3,70%, para R$ 39,75. No segmento de telecomunicações, Brasil Telecom SA ON e PN, Telemar ON e Telemar Norte Leste PNA ganharam mais de 2% cada.
Marcando mais um pregão de baixa, Brasil Telecom Participações ON caiu 4,19%, para R$ 28,30. A ação perdeu atratividade depois que a Telemar concluiu a Oferta Pública de Aquisição (OPA), como parte do processo de compra da companhia.
Fora do índice, chamou atenção a disparada de 29,68% registrada pelas ações ON da construtora JHSF, que fecharam a R$ 2,49. Procurada, a empresa não quis se manifestar sobre a oscilação anormal no preço do papel.
Com forte volume, mais de R$ 53 milhões em negócios, LLX ON aumentou 8,20%, para R$ 4,35. Cresce a expectativa de um acordo entre os chineses da Wuham e a companhia que faz parte do grupo EBX, de Eike Batista.
(Eduardo Campos | Valor Online)