03/07/2009 - 20h05
Mesmo com queda de 1% no PIB, "sensação vai ser boa", diz Goldfajn

SÃO PAULO - Mesmo que o cenário internacional não ajude muito e haja um aumento da dívida pública, a economia brasileira tem potencial de crescimento de 3% no próximo ano. A avaliação é de Ilan Goldfajn, economista-chefe do banco Itaú BBA e ex-diretor do Banco Central. Para este ano, no entanto, sua estimativa é de retração de 1% para o PIB. "Mas a sensação vai ser boa", afirma o especialista.
Goldfajn tem uma visão otimista em relação ao posicionamento do Brasil no cenário futuro. Com a trajetória prevista de redução do consumo e recomposição da poupança nos Estados Unidos, devem ser favorecidos os países em desenvolvimento com grandes mercados internos, como China, Índia e Brasil.
Ele também não vê riscos inflacionários pela frente. Para ele, com a tendência de baixa dos preços administrados e preços livres, não chega a ser um problema a resiliência dos preços de serviços, que levam mais tempo para cair.
Essa defasagem no caso da inflação de serviços é a mesma observada para a massa salarial, que deve cair, e do desemprego, cuja trajetória deve aumentar.
Ainda que a economia se recupere, Goldfajn diz que a perda de emprego e de salário deve se acentuar posteriormente, mas deve ser compensada com a retomada da oferta de crédito. "O consumo não vai ficar nem alto nem baixo", disse o economista , durante seminário promovido pela Internews, em São Paulo.
No que diz respeito à economia para pagamento de juros, Goldfajn avalia que ficará difícil para o país alcançar superávit primário superior a 2% do PIB nos próximos anos. "Para voltar aos 4% no ano que vem teria de haver um forte aumento de receita e uma grande redução de gastos" afirma, reforçando que a perspectiva é de que o superávit fique em 2% do PIB caso a taxa de juros continue no mesmo patamar.
Mesmo neste ano, para atingir o nível de 2,5% do PIB, o economista avalia que será preciso usar o mecanismo que permite abater até 0,5 ponto percentual da meta fiscal com os investimentos do Projeto Piloto de Investimento (PPI). Fora isso, ele entende que o governo terá que cumprir outros 0,5 ponto da meta do superávit com recursos guardados no fundo soberano, "que terá de ser usado".
(Bianca Ribeiro | Valor Online)