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21/10/2009 - 09h07

IOF derrubou Bovespa em 2,88% e puxou dólar em 1,86%

SÃO PAULO - Sem surpresa, os mercados brasileiros reagiram de forma negativa à imposição de 2% de Imposto sobre Operação Financeira (IOF) ao capital externo que aportar em ações e títulos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve a maior perda diária e o dólar, a maior alta desde o final de junho. Já os juros futuros ajustaram para baixo em um misto de " compra no boato e vende no fato " e proximidade de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

A profusão de avaliações sobre o IOF é praticamente ilimitada, mas pode ser resumida em dois grandes grupos: mercado e setor produtivo. O mercado esbraveja, pois o governo mudou as regras com o jogo em andamento, pode limitar a captação de recursos via mercado de ações e tirar liquidez do mercado brasileiro. Pelo lado produtivo, a ponderação é que o enfraquecimento da indústria tem um custo muito mais elevado e que grande parte do dinheiro vem para especular e não para ajudar o desenvolvimento do país. Os mais moderados avaliam que ainda é cedo para tirar conclusões e que, dependendo do perfil do investidor, os 2% não são punitivos. Outro prisma de análise descarta o efeito prático e dá ênfase na sinalização de que o governo não vai permitir que se especule com o câmbio.

O mercado já se articula para tentar fazer o governo mudar de ideia. O objetivo é a revogação da medida, mas, em caso de negativa, as instituições devem buscar a distinção entre "capital especulativo" e de "longo prazo".

Na Bovespa, as vendas foram generalizadas, mas quem sofreu mais foi o papel da própria bolsa, dada a expectativa de perda de negócios para as ADRs (recibo de ação) listadas em Nova York. O ativo ON da bolsa liderou o volume negociado, movimentando mais de R$ 1,15 bilhão, mas também puxou as perdas entre os ativos listados, ao cair 8,41%, para R$ 12,41.

No fim da jornada, todos os 63 ativos do Ibovespa apresentam baixa. Ccom isso, o índice recuou 2,88%, fechando aos 65.303 pontos, marcando a maior perda diária desde 22 de junho, quando caiu 3,66%. O volume de R$ 8,92 bilhões foi o maior desde 2 de maio de 2008 para dias sem vencimento de opções e índice futuro. Vale lembrar que, na mínima, o índice chegou a ceder 4,7%, para 64.075 pontos.

Segundo o gerente de operações da UM Investimentos, Rodrigo Silveira, a taxa de 2% sobre o investimento externo serviu de gatilho para uma realização de lucros que o mercado vinha esperando há algum tempo.

" É uma reação natural e sem surpresa " , disse o especialista, ressaltando que o índice ainda defende a linha dos 65 mil pontos, o que representa uma alta de 74% no acumulado de 2009.

No câmbio, as compras foram regra e a moeda fechou a R$ 1,743 na compra e R$ 1,745 na venda. Tal ganho percentual é o maior desde 22 de junho, quando a moeda subiu 2,58%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar ganhou 2,21%, para fechar a R$ 1,749. O volume negociado dobrou, atingindo US$ 520 milhões, novo recorde para o ano. Já no interbancário os negócios declinaram 75%, somando US$ 1,8 bilhão.

A moeda chegou a R$ 1,766 na máxima, ou alta de 3,09%, mas perdeu fôlego no período da tarde. O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, observou que redução no ritmo de compras seguiu alguns esclarecimentos sobre a medida envolvendo o IOF.

Os negócios no câmbio têm liquidação em D+2; portanto, quem estava liquidando, ontem, operações fechadas dois dias atrás já teria 2% a mais na fatura. Acontece que, posteriormente, foi esclarecido que as operações feitas antes na alteração foram excluídas da cobrança do IOF.

Quanto ao rumo de preço da moeda americana, o gerente acredita que o dólar deve sustentar preços superiores aos atuais. Galhardo lembrou que muitas instituições financeiras locais estavam se aproveitando do dinheiro barato ofertado no mercado externo para montar posição vendida em dólar, pegar os reais e rentabilizar em outros mercados. Só que agora, com o pedágio de 2%, esses agentes são desencorajados a renovar essas linhas externas. Portanto, devem zerar a exposição em dólar para não correr o risco de um movimento de apreciação prolongado da divisa americana. No mercado de juros futuros, o dia foi de ajuste para baixo e as explicações passam pelas declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que os juros não devem subir, antecipação da medida do IOF, e proximidade da decisão do Copom, que deve confirmar estabilidade da taxa em 8,75% na reunião de hoje. Ao final do pregão na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,05 ponto percentual, a 10,44%. Já o vencimento para janeiro de 2012 diminuiu 0,04 ponto, a 11,67%, depois de subir a 11,85%. E janeiro de 2013 projetava 12,25%, queda de 0,13 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 cedeu 0,01 ponto, marcando 8,66%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedeu 0,04 ponto, a 9,27%. Destoando, novembro de 2009 ganhou 0,02 ponto, a 8,65%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 547.385 contratos, equivalentes a R$ 48,21 bilhões (US$ 28,14 bilhões), alta de 44% sobre o registrado um dia antes. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 234.755 contratos, equivalentes a R$ 20,83 bilhões (US$ 12,16 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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