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21/10/2009 - 10h02

Acordo do PT com PMDB é alvo de críticas de Ciro

BRASÍLIA - A cúpula nacional do PMDB reuniu-se ontem com dirigentes do PT e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para formalizar o pré-compromisso de aliança eleitoral na sucessão presidencial de 2010. O acerto foi criticado por dissidente pemedebistas e ironizado pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), que quer disputar a Presidência da República.

" Espero que o PMDB entregue o que está prometendo. Historicamente, desde sempre isso não acontece. E eu espero também que os argumentos dessa aliança sejam confessáveis publicamente " , afirmou. Ciro, que costuma criticar o que chama de " hegemonia moral " da aliança do PT com o PMDB, disse que queria saber " em que base " o acordo está sendo feito e se é para " replicar a hegemonia frouxa de um certo PMDB " .

O pré-compromisso feito ontem pressupõe que o PMDB indicará o candidato a vice-presidente da chapa de Dilma. O partido também impõe como condição para a aliança participar ativamente das decisões da campanha e da elaboração do programa de governo.

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), dissidente do seu partido e aliado do governador tucano José Serra (SP), pré-candidato mais forte da oposição a presidente, considerou " uma precipitação " de Temer e demais dirigentes pemedebistas esse pré-acordo com o PT. " É uma quebra de tradição do PMDB de sempre liberar o partido (em eleições presidenciais), um caminho não escolhido por mim, mas resultando do fato de ser um partido de várias tendências. Isso sempre foi respeitado " , disse Jarbas.

O ex-governador de São Paulo e presidente do PMDB de São Paulo, Orestes Quércia, também aliado de Serra, foi na mesma linha. " Não é uma decisão do partido. Nem a Executiva nem o conselho político do PMDB foram consultados. A decisão final de aliança é da convenção nacional " , lembrou, referindo-se ao evento partidário que ocorrerá em junho de 2010.

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), presidente licenciado do partido e principal articulador do acerto com Lula - ao lado do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) -, afirmou ontem que, a partir do pré-acordo, a cúpula vai consultar as instituições partidárias. " Mas é um passo muito importante. Mostra que o PMDB está presente " , disse.

(Raquel Ulhôa | Valor)

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