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21/10/2009 - 19h16

Cena externa atrapalha, mas Bovespa garante alta

SÃO PAULO - Uma brusca virada de humor em Wall Street tirou o brilho do pregão desta quarta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As posições compradas foram rapidamente revertidas nos minutos finais do pregão, derrubando os ganhos do índice.

Depois de marcar alta de 2,84% aos 67.157 pontos, o Ibovespa fechou o dia com variação positiva de apenas 0,28%, aos 65.485 pontos. O volume foi elevado, somando R$ 8,08 bilhões.

Na visão do gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, a regra dos últimos dois pregões foi não ter regra. A violência dos movimentos e o volume também assustam. Da mínima de ontem à máxima de hoje, o Ibovespa variou 3.082 pontos e girou mais de R$ 17 bilhões.

Na visão do especialista, parte dessa reação decorre do fato de que os agentes estavam comprados, mas achando que a bolsa estava cara. Então, em um primeiro sinal de estresse, saíram vendendo. Outros acharam que esse era o momento de compra e saíram montando posições - o que obrigou os vendidos a reaver parte dos seus papéis.

Acontece que, no final do pregão, o sinal externo somou um vetor de força contrária no mercado brasileiro. Em poucos minutos, as vendas ganharam corpo em Wall Street e o Dow Jones perdeu 0,92%, e o Nasdaq cedeu 0,59%. No decorrer do pregão, o assunto ainda era a tributação de 2% imposta ao investimento estrangeiro. Segundo Machado, a medida é totalmente inócua para controle cambial. " Parece mais um instrumento fiscal que de controle de câmbio " , ponderou.

No caso da bolsa, a taxa de 2% não é entrave a quem faz investimentos de longo prazo. Segundo Machado, a taxa tira apenas os arbitradores do mercado. A questão, agora, é saber quanto do volume era de responsabilidade desse tipo de investidor. O ponto, diz o gestor, é que esse tipo de medida altera a expectativa do mercado. Ao agir dessa forma, o governo fala claramente que o preço do dólar está atrapalhando. " Isso gera um desconforto com medidas posteriores, ou seja, o governo diz que o mercado está passível de medidas exógenas adicionais " , explica. Também relacionado ao IOF, os agentes discutiram ao longo do dia os modelos de operação que podem ser montados para burlar a tributação. Uma das formas, segundo a analista da Link Mariana Taddeo envolve os recibos de ações (ADRs) de empresas brasileiras negociadas em Wall Street.

A operação consiste na compra de um ADR e seu posterior cancelamento. Ao fazer isso, o investidor recebe as ações representativas do recibo. Acontece que esses papéis já estão no Brasil. Então por meio de representante, ele negocia essas ações. Como não tem fluxo de entrada não tem IOF. De acordo com Marina, o custo de tal operação compensa, mas a eficiência é menor que uma compra direta. No lado corporativo, os carros-chefe garantiram a valorização do dia. Vale PNA subiu 0,66%, a R$ 40,77, e Petrobras PN ganhou 0,54%, a R$ 36,70. As ações da BM & FBovespa passavam por recuperação, depois da queda de 8,4% registrada no dia anterior. O papel subiu 0,80%, a R$ 12,51, com o terceiro maior volume do dia.

Entre as siderúrgicas, CSN ON teve acréscimo de 3,58%, a R$ 63,50, e Gerdau PN defendeu variação positiva de 0,58%, a R$ 29,35. Já no segmento financeiro, Itaú Unibanco PN caiu 0,82%, a R$ 36,00, mas Banco do Brasil ON avançou 0,06%, a R$ 30,45.

O destaque de alta ficou com o papel ON da MMX Miner, que saltou 5,22%, para R$ 13,10, recuperando toda a perda de ontem. Ganho de 3,96% para Duratex ON, que fechou a R$ 12,85. Braskem PNA também subiu mais de 3%, a R$ 12,39.

Ainda na ponta compradora, NET PN se valorizou 2,69%, a R$ 22,50. A operadora lucrou R$ 246 milhões no terceiro trimestre do ano, revertendo prejuízo de R$ 63 milhões amargado um ano antes.

Liderando as vendas, VCP ON recuou 3,03%, a R$ 28,80, Cesp PNB perdeu 2,69%, a R$ 21,65, e Eletrobrás ON recuou 2,17%, a R$ 27,00.

(Eduardo Campos | Valor)

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