SÃO PAULO - Ainda que o projeto do governo paulista de banda larga popular concorra com um pacote voltado para a classe C da NET, a empresa diz estar "engajada" no projeto estadual Programa Banda Larga Popular. Segundo a companhia, é possível disponibilizar acesso rápido à internet por R$ 29,80 como quer o governo de São Paulo conforme anúncio feito na semana passada.
O produto poderá chegar ao mercado ainda neste ano, segundo avalia o presidente da empresa, José Félix. "Vamos lançar sim o produto especificado pelo governo e estamos imaginando uma velocidade de 200 kilobits por segundo (Kbps). A NET está engajada nesse esforço e no que depender de nós isso vai ser, sim, incentivado", afirmou hoje, em teleconferência com jornalistas.
A velocidade de 200 kbps é a mínima estabelecida pelo projeto do estado, podendo chegar a 1 megabit por segundo (Mbps). Para Felix, o objetivo tem de ser mesmo o mínimo nesse caso. "Não adianta dizer que vai colocar 500 kbps ou 1 mega, pois a finalidade não é essa. A ideia é disponibilizar acesso rápido para pessoas que hoje fazem uso da linha discada", pondera.
Sobre a possibilidade de estender esse tipo de produto para outras praças do país, o executivo diz que também tem interesse e crê na viabilidade do projeto desde que haja a isenção de ICMS, como propõe o governo estadual de São Paulo.
Questionado se haveria risco de uma migração de um plano mais completo para o acesso mais barato à internet, Felix diz que "o tempo vai dizer", mas que a lógica mostra que não vale a pena. O pacote mais barato da empresa, o combo NetFone.com custa R$ 39,90 e oferece não só acesso à internet rápida, mas também o serviço de linha telefônica fixa e canais de TV aberta de alta qualidade via cabo.
"Se já tem serviço completo por R$ 39,90 por que ter esse trabalho por R$ 10?", questiona Felix. Seja como for, interessa muito à NET conquistar um público estimado em 1,3 milhão de usuários de conexão de linha discada. Se todo esse contingente aderir ao programa de São Paulo, a receita estimada chegaria a R$ 480 milhões por ano.
"Como a NET não está em todo o estado, se capturarmos 20%, a 40% desse mercado será bom. O potencial de receita seria de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões por ano", calcula o executivo.
Efeito Speedy
Conforme dados divulgados hoje pela empresa, a base de assinantes de internet banda larga da empresa, o chamado Vírtua, atingiu 2,790 milhões de assinantes, com crescimento de 35% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A adição líquida foi de 185 mil assinantes no período, dos quais 25 mil vieram da base da ESC 90, operadora do Espírito santo adquirida em agosto pela NET.
"Mesmo se tirarmos a adição da ESC 90, o Vírtua sem sombra de dúvida teve forte desempenho em São Paulo, pois por cerca de 60 dias o cenário competitivo estava a nosso favor", pondera Felix, mencionando o impedimento das vendas do Speedy, da Telefônica, determinado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) entre os dias 22 de junho e 26 de agosto.
NET Fone
No segmento de telefonia fixa, o crescimento da base de assinantes no trimestre foi de 63%, com adição de 203 mil novos usuários, para um total de 2,489 milhões de clientes do serviço. Antonio Felix acredita que esse aumento está relacionado com o formato de venda do serviço dentro de pacotes (os chamados combos), o que torna o produto mais atraente.
"A oferta caiu no agrado da população. Hoje, NET é sinônimo de combo", diz, reforçando que por um único cabo a empresa entrega os três serviços convergentes.
A portabilidade numérica também tem se mostrado favorável à base da empresa. Segundo o executivo, para cada 12 clientes que chegam ao NET Fone com um número portado, apenas 1 deixa a empresa na mão inversa, levando o número originado na companhia.
(Bianca Ribeiro | Valor)