SÃO PAULO - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, voltou a fazer uma veemente defesa da adoção da política de conteúdo nacional aplicada pela estatal e afirmou que a companhia apenas garante empregos no Brasil em setores da indústria que terão uma " curva de aprendizado " até atingir padrões internacionais de competitividade.
" Qualquer empresa grande pensa assim, estatal ou não " , ressaltou Gabrielli.
O executivo, que participou de palestra no Clube Militar, no Rio, negou que a companhia proteja setores industriais com custos mais altos e destacou que o objetivo da estatal é acompanhar a evolução de diferentes áreas até que tenham condições de competir em igualdade de condições com empresas estrangeiras.
" Não tem nada no mundo parecido com o pacote de sondas que colocamos (no mercado) " , disse Gabrielli, lembrando da demanda de 30 sondas e 153 embarcações da empresa até 2013. " Por que não fazer essa criação nova no Brasil? " , indagou.
O presidente da estatal garantiu que a importação deve acontecer sempre que não houver escala para garantir o estabelecimento da indústria no país, ou em casos de patentes tecnológicas muito protegidas.
" Há setores em que dificilmente haverá conteúdo nacional " , disse.
Gabrielli evitou falar de uma meta fixa de conteúdo nacional, apesar de ter atingido 75% nas encomendas no primeiro semestre, contra 57% em 2003. Segundo ele, o objetivo da companhia não é um número definido, mas especificar metas de conteúdos para subsistemas.
" Num navio, queremos ampliar o conteúdo nacional dos móveis, dos motores, dos equipamentos, do sistema de ancoragem, do sistema de radar, do sistema de geração elétrica. Tem que avançar na cadeia. Essa é a ideia " , ponderou.
O executivo lembrou ainda de incentivos da companhia para a cadeia de fornecedores, como os três fundos de US$ 1,5 bilhão para capitalizar empresas da cadeia de fornecimento, ou os US$ 7 bilhões em 10 fundos para pequenos e grandes contratos.
(Rafael Rosas | Valor)