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22/10/2009 - 08h36

Bovespa garantiu leve alta e dólar perdeu valor na quarta-feira

SÃO PAULO - Apesar da instabilidade, a quarta-feira acabou com tom positivo para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) defendeu valorização, o dólar devolveu boa parte dos ganhos da sessão anterior e os juros futuros voltaram a perder prêmio de risco.

O assunto IOF sobre capital estrangeiro permaneceu na pauta, mas ainda não existe avaliação definitiva sobre o impacto da medida. Pelo comportamento da Bovespa e do dólar, a impressão é de que o assunto já foi assimilado e não muda a direção desses mercados. Acontece que o sinal externo também influiu nos negócios. Uma brusca virada de humor em Wall Street levou a um rápido desmanche de posições na Bovespa, desconfigurando o pregão.

Depois de marcar alta de 2,84% aos 67.157 pontos, o Ibovespa fechou o dia com variação positiva de apenas 0,28%, aos 65.485 pontos. O volume foi elevado, somando R$ 8,08 bilhões.

Em Wall Street, analistas conceituados falaram em correção de preços e o setor de varejo sofreu um baque depois que o Wal-Mart anunciou milhões de dólares em descontos para a temporada de final de ano. No setor financeiro, o Wells Fargo perdeu recomendação de compra e caiu forte, prejudicando todo o setor, que vinha operando com destaque. Com isso, o Dow Jones encerrou em baixa de 0,92%, aos 9.949 pontos. O S & P 500 recuou 0,89%, para 1.081 pontos. Já o Nasdaq diminuiu 0,59%, a 2.150 pontos. De volta à Bovespa, o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, observou que regra dos últimos dois pregões foi não ter regra. A violência dos movimentos e o volume também assustam. Da mínima de terça-feira à máxima de ontem, o Ibovespa variou 3.082 pontos e girou mais de R$ 17 bilhões.

Avaliando a questão do IOF, Machado apontou que esse tipo de medida altera a expectativa do mercado. Ao agir dessa forma, o governo fala claramente que o preço do dólar está atrapalhando. " Isso gera um desconforto com medidas posteriores, ou seja, o governo diz que o mercado está passível de medidas exógenas adicionais " , explicou.

Entre as commodities, o destaque ficou com o preço do petróleo, que marcou nova máxima para o ano acima de US$ 81 o barril de WTI.

Devido ao horário de fechamento, o câmbio escapou da virada de humor no mercado externo. Mas a julgar pelo comportamento do mercado, a tributação ao capital externo teve seu efeito limitado à terça-feira.

Resumindo bem a questão, o gerente da mesa de câmbio da BGC Liquidez, Francisco Carvalho, disse que não é por causa de um pedágio de 2% que os investidores vão deixar de aportar recursos no Brasil.

No começo do pregão, o dólar comercial ensaiou valorização, batendo R$ 1,769. Conforme as bolsas firmaram alta, no entanto, a moeda perdeu força, até fechar o dia com queda de 1,14%, a R$ 1,723 na compra e R$ 1,725 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar recuou 1,37%, para fechar, também, a R$ 1,725. O volume negociado, que bateu recorde no pregão anterior, caiu 37%, para US$ 325,25 milhões. Já no interbancário os negócios saltaram de US$ 1,8 bilhão para US$ 4,1 bilhões. No mercado de juros futuros, os vendedores pautaram os negócios, mas o volume não foi dos maiores. Segundo o sócio da Oren Investimentos, Jacob Weintraub, a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) estimulou uma revisão de posições, já que a curva precificava até o mais pessimista dos cenários.

Após o encerramento dos negócios, o colegiado do BC confirmou o previsto e manteve a taxa básica estável em 8,75% ao ano, sem viés. O comunicado do BC foi exatamente o mesmo do divulgado na reunião de setembro: "Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro, e por outro, a margem de ociosidade dos fatores produtivos, entre outros fatores, o Comitê avalia que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".

De volta à BM & F, ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava recuo de 0,06 ponto percentual, a 10,38%. Já o vencimento para janeiro de 2012 diminuiu 0,04 ponto, a 11,60%. E janeiro de 2013 projetava 12,21%, baixa de 0,03 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 cedeu 0,01 ponto, marcando 8,66%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, declinou 0,03 ponto, a 9,23%. Destoando, novembro de 2009 ganhou 0,01 ponto, a 8,64%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 297.020 contratos, equivalentes a R$ 26,29 bilhões (US$ 15,06 bilhões), queda de 46% sobre o registrado na sessão anterior. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 97.540 contratos, equivalentes a R$ 8,66 bilhões (US$ 4,96 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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