GENEBRA - O Brasil avisou ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC) que uma sobretaxa antidumping aplicada sobre o PVC americano, previsto para expirar em dezembro, poderá passar por revisão administrativa e continuar sendo aplicada.
Os EUA tinham questionado o Brasil no Comitê de Medidas Antidumping, inconformados com a sobretaxa de até 16%. O PVC importado do México também é sobretaxado em até 18%, igualmente sob alegação de preço deslealmente baixo que ameaça a indústria nacional.
O PVC é utilizado em construção civil e outras indústrias que vão de brinquedos a calçados. No ano passado, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou igualmente medidas antidumping sobre as importações de PVC-S originárias da China, de 10,5% a 21,6%, e da Coreia do Sul, de 18,9%.
Com a recessão global, as medidas antidumping aumentaram, sendo o principal instrumento de proteção comercial de boa parte dos países, provocando repetidos alertas da OMC para o risco de mais contenciosos.
Nesse contexto, o embaixador brasileiro junto a OMC, Roberto Azevedo, disse que quem mais aplica medida antidumping são países com tarifa baixa e, nesse caso, são precisamente os industrializados.
"Muitos usam mais antidumping porque não têm mais a tarifa para protegê-los", observou. "Mas os países em desenvolvimento estão usando agora com base nas regras. O Brasil usa de maneira legítima."
A combalida Rodada Doha para liberalização do comércio mundial prevê um endurecimento das regras para utilizar antidumping. Só que a negociação global não anda. Na verdade, na parte agrícola, de maior interesse do Brasil, está havendo um retrocesso, com os países ricos se tornando ainda mais protecionistas.
Um dos problemas é que, como os EUA não se engajam na negociação, países que tinham feito esforço para abrir parte do mercado, incluindo Canadá, Japão e europeus, agora estão aproveitando para recuar também.
Para Azevedo, "um país membro" com problemas políticos para vender a negociação global provoca o impasse em Doha e pode empurrar o fim da negociação para dentro de alguns anos e não em 2010 como foi acertado pelos principais países.
O Brasil organizará, no dia 29 de novembro, em Genebra, uma reunião com ministros dos grupos de países em desenvolvimento para reiterar pela redução de subsídios e tarifas agrícolas.
(Assis Moreira | Valor)