SÃO PAULO - Seguindo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), os contratos de juros futuros operam sem direção única nesta quinta-feira. Os vencimentos curtos reafirmam o viés de baixa dos últimos dois pregões, enquanto os longos voltam a acumular prêmio de risco.
Em uma reunião rápida, o colegiado optou pela estabilidade da taxa em 8,75% ao ano e repetiu o comunicado da decisão de setembro, indicando que a taxa atual é compatível com o crescimento não inflacionário da economia.
Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011 declinava 0,04 ponto percentual a 10,33%. Em direção contrária, janeiro de 2012 avançava 0,06 ponto, a 11,64%, depois de cair a 11,55%. E janeiro avançava 0,07 ponto, a 12,28%.
Na parte curta da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2010 caía 0,01 ponto, a 8,66%. Julho de 2010 recuava 0,07 ponto, a 9,16%. E novembro de 2009 perdia 0,01 ponto, a 8,64%
Para o diretor de gestão da Máxima Asset, César Trotte, o formato da curva está condizente com o horizonte de política monetária, no qual o Banco Central (BC) tem que trabalhar para retirar o estímulo dado à economia e atuar preventivamente contra a inflação., ou seja, imputa alta de juros em 2010. " A grande questão é 2011, quando a inflação pode preocupar um pouco " , avalia.
Para 2010, Trotte não enxerga risco no comportamento dos preços, pois os preços administrados vão correr mais baixos em função da queda dos IGPs em 2009 e a economia continuará crescendo abaixo do potencial.
Na avaliação do economista, o movimento de queda da taxa de juros entre janeiro e julho teve dois componentes. O estrutural, que reflete um juro de equilíbrio mais baixo em função de melhores fundamentos econômicos, e o conjuntural, ou seja, o estímulo dado para impulsionar a economia no período de crise.
Para Trotte, esse estímulo conjuntural já deveria estar sendo retirado. " Olhando o comportamento da atividade, não faz mais sentido ter esse estímulo " , diz o especialista, apontando para a queda do desemprego, aumento da produção e outras variáveis econômicas.
Em função desse crescimento da atividade, que pode levar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para cima de 6% em 2010, Trotte acredita que o BC vai agir tempestivamente e começar um aperto monetário já em janeiro de 2010.
Algum sinal de mudança no viés de política monetária pode vir na reunião de dezembro ou mesmo com a retirada dos estímulos dados pela alteração dos depósitos compulsórios.
A necessidade de retirar o caráter estimulante da política monetária deve ficar mais clara com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que vai ser muito forte na avaliação do economista.
Feito esse ajuste, diz Trotte, o BC passa a acompanhar o comportamento da economia para sabe se é necessário adotar um posição de juros ativa, ou seja, a Selic passaria a conter o crescimento da demanda, pois a economia estaria acima de seu potencial.
Na agenda econômica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a taxa de desemprego caiu de 8,1% em agosto para 7,7% em setembro. A previsão era de baixa para 8%. Mas a queda refletiu o menor número de pessoas procurando emprego e não um crescimento da população ocupada. O importante, mesmo, é que o rendimento real e a massa salarial continuaram subindo, o que dá sustentação ao processo de recuperação da economia local.
Na gestão da dívida pública, o Tesouro vende Letras Financeiras de Tesouro (LFT), Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Também acontece resgate antecipado de NTN-F.
(Eduardo Campos | Valor)