SÃO PAULO - Reafirmado o discurso oficial de crescimento não inflacionário da economia, os contratos de juros futuros curtos perderam prêmio de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (Bovespa). Já os longos apontaram para cima.
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi rápida e não trouxe surpresas. O colegiado optou pela estabilidade da taxa em 8,75% ao ano. Também não deu trabalho, pois o BC repetiu integralmente o comunicado da decisão de setembro.
Segundo o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, ao acenar estabilidade da Selic, o BC tirou pressão dos vencimentos curtos, mas aumentou o risco de uma aceleração da economia e a necessidade de resposta mais agressiva no futuro.
" A dinâmica da curva é essa. O que se pode discutir é por que colocar ainda mais prêmio em uma curva já premiada " , explica Serrano.
Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,10 ponto percentual, a 10,27%. O vencimento para janeiro de 2012 fechou estável a 11,58%, depois de subir a 11,67%. E janeiro de 2013 projetava 12,27%, alta de 0,06 ponto.
Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 perdeu 0,02 ponto, marcando 8,65%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, cedeu 0,09 ponto, a 9,14%. Destoando, novembro de 2009 perdeu 0,01 ponto, a 8,64%.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 615.775 contratos, equivalentes a R$ 55,41 bilhões (US$ 31,77 bilhões), mais que o dobro do registrado ontem, mas baixo para dias pós-Copom. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 267.345 contratos, equivalentes a R$ 23,78 bilhões (US$ 13,63 bilhões).
Ainda de acordo com o economista, como o BC repetiu o comunicado, é possível esperar uma ata sem mudanças extraordinárias, já que o cenário prospectivo não se alterou de uma reunião para outra.
A postura do BC ajuda a reforçar a visão do BES de que a taxa de juros segue estável por um longo período de tempo. " Não faz sentido subir juros em 2010 com a inflação apontando para baixo da meta " , diz Serrano.
Essa discussão, na visão do economista, fica para 2011, quando o crescimento estiver mais robusto e a inflação, menos previsível.
Para Serrano, a taxa fica estável em 2010. Há o risco de uma antecipação, mas uma alta de juros só seria plausível no segundo semestre do ano, quando as ações de política monetária passam a ter efeito concentrado em 2011.
O economista também explica que a discussão entre os participantes do mercado sobre alta no primeiro ou segundo semestre depende da interpretação que cada um faz do modo de atuação do BC.
Quem aposta em alta no começo de 2010, acredita que o BC avalia que a economia não precisa mais de estímulo. Portanto a Selic é ajustada para a chamada taxa neutra. O problema aqui é saber qual é, exatamente, essa taxa.
A outra parte acredita que o BC vai reagir a seu modelo, e como a inflação projetada segue abaixo da meta até 2011, a Selic pode ficar em 8,75% por mais tempo.
Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu todo o lote de 300 mil Letras Financeiras de Tesouro (LFT) que ofertou, a R$ 1,21 bilhões. Também foram colocadas 1,3 milhão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), a R$ 1,12 bilhão. Ainda foram vendidas 620 mil, das 650 mil, Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F) ofertadas, a R$ 590 milhões. Não foram aceitas ofertas no leilão de resgate antecipado de NTN-F.
(Eduardo Campos | Valor)