SÃO PAULO - A operadora de telecomunicações GVT planeja sua entrada no mercado de varejo dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro a partir do ano que vem.
Dando continuidade ao plano de expansão de sua rede, que envolverá cinco cidades de grande porte em 2010, a companhia informou que planeja continuar a busca pelas áreas fora de sua região de origem - a região II, que compreende Centro-Oeste, Sul e parte do Norte do país. A expansão já definida envolve uma cidade paulista e uma cidade fluminense.
"Já sabemos quais são as regiões (em que passaremos a atuar). Vamos para o Sudeste e Nordeste, mas ainda não definimos todas as cidades", afirmou o vice-presidente de Marketing e Vendas da GVT, Alcides Troller Pinto, sem especificar, no entanto, quais foram as cidades escolhidas nos dois estados do Sudeste.
No Nordeste, a empresa já oferece telefonia fixa e banda larga para as cidades de Recife e Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, além de ter operações em Salvador, na Bahia. No Sudeste, a empresa já oferece serviços em Belo Horizonte, Contagem e Betim, em Minas Gerais, e Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo.
Para iniciar operações nessas novas " cidades-chave " , a companhia terá que desembolsar mais recursos na comparação com o que foi investido no ano passado e com as projeções deste ano. A ideia é que a empresa invista de R$ 200 milhões a R$ 220 milhões em 2010 para a expansão, segundo afirmou hoje o vice-presidente Financeiro e diretor de Relações com Investidores da empresa, Rodrigo Ciparrone.
Ao todo, as estimativas de investimentos da empresa para o ano que vem apontam para algo em torno de R$ 830 milhões a R$ 850 milhões. Em 2008, a GVT desembolsou cerca de R$ 750 milhões, enquanto para este ano, as projeções mostram investimentos na faixa dos R$ 600 milhões.
Para o vice-presidente Financeiro e diretor de Relações com Investidores da empresa, Rodrigo Ciparrone, a expansão territorial da GVT foi um dos grandes impulsionadores de seus resultados no terceiro trimestre.
Na tarde de ontem, a companhia divulgou lucro líquido de R$ 57,2 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 14,8 milhões registrado no mesmo período de 2008. "Tivemos um trimestre de forte desempenho operacional e financeiro. As vendas nas áreas de expansão excederam nossas expectativas", destacou Ciparrone.
Nesse sentido, o segmento de varejo foi um fator destaque nos resultados mencionados pelos executivos. Somente nas cidades fora da região II a empresa registrou expansão de 14,7% na receita, sendo que no segundo trimestre, foi verificada uma alta de 11,5%.
No total, a receita líquida da GVT no período julho a setembro cresceu 27,3%, passando de R$ 347,4 milhões no ano passado, para R$ 442,3 milhões em igual intervalo deste ano.
A procura por conexões de banda larga com velocidade igual ou superior a 10 Mbps estimulou as vendas no período. Ao final do terceiro trimestre, esses serviços corresponderam a 64,1% das vendas; decorrente, principalmente, do lançamento, em agosto, da nova família de banda larga com "ultravelocidades", de 3Mbps a 100Mbps, com preço para 10 Mbps inferior ao preço médio praticado pelo mercado.
"A inciativa aumentou a vantagem competitiva frente aos nossos concorrentes", afirmou Ciparrone. "Hoje ainda não há aplicações de internet para essas velocidades, mas essas aplicações vão surgir. É uma tendência, e as empresas mais estruturadas nesse sentido vão se dar melhor", explicou o executivo. Segundo ele, nos dois meses desde quando foi lançada a nova família de banda larga, foram registrados novos 700 clientes vendidos no segmento.
Na teleconferência de exposição dos resultados a GVT se recusou a falar sobre as ofertas da Telefônica e da Vivendi pela empresa. Os executivos apenas citaram os bancos contratados para analisar as ofertas como advisors, que são o Credit Suisse e Goldman Sachs
(Vanessa Dezem | Valor)