SÃO PAULO - Em meio às dificuldades de um setor castigado pela crise financeira internacional, a Usiminas tem visto na redução de custos uma das principais formas de perseguir a lucratividade. De janeiro a setembro deste ano, a companhia cortou R$ 443 milhões em custos e projeta reduzir mais R$ 68 milhões nos três últimos meses de 2009.
Os cortes fazem parte de um programa que prevê a redução de R$ 1,4 bilhão até 2011 em custos operacionais relacionados à atividade industrial. Até setembro, foram cortados R$ 234,8 milhões na atividade conhecida como "redução", primeiro processo de produção do aço. Já o setor de aciaria já baixou os custos em R$ 150,62 milhões, enquanto que nas laminações foram cortados R$ 57,6 milhões.
Ainda assim, a companhia segue com dificuldades em sua performance operacional, especialmente em razão da queda nos volumes. O vice-presidente de relações com investidores da Usiminas, Ronald Seckelmann, lembrou que praticamente todo o lucro líquido de R$ 711 milhões obtido nos nove primeiros meses deste ano deveu-se ao efeito financeiro da desvalorização do dólar sobre a dívida da companhia.
A importância de se reduzir os custos também pode ser observada na margem Ebitda da Usiminas, um dos mais importantes indicadores de eficiência, que mede a lucratividade da atividade principal da empresa, no caso a comercialização de aço. Nos nove primeiros meses de 2008, a margem Ebitda da empresa estava em 38,3%, passando para 10,4% no mesmo intervalo deste ano.
"A Usiminas está em processo de recuperação de margens para poder manter os empregos", disse o presidente da empresa, Marco Antonio Castello Branco, em resposta às críticas de setores do governo às siderúrgicas, de que estariam paralisando investimentos.
(Murillo Camarotto | Valor)