SÃO PAULO - Famosa por ter estendido o tapete vermelho aos seus passageiros, principalmente homens e mulheres de negócios que não se importavam em pagar caro por mais conforto e melhor serviço de bordo, a TAM, quem diria, quer agora conquistar as classes C e D. Até o final do ano, vai vender passagens em múltiplas parcelas e em horários fora de pico e promete preços para seduzir quem nunca voou com ela.
" Estamos concluindo parcerias com instituições financeiras para que esse passageiro possa comprar a crédito e financiar as passagens. Nós não tomaremos o risco de crédito " , disse ao Valor o presidente da TAM, Líbano Barroso, por telefone , de Nova York.
De acordo com o executivo, que está interinamente no cargo após a recente saída de David Barioni Neto, o limite de parcelas, assim como o nome da campanha, ainda estão sendo definidos com as instituições financeiras, cujos nomes não foram revelados. Como exemplo de que a TAM já mira os passageiros das classes C e D, Barroso lembra do convênio assinado há dois meses entre a TAM Viagens e a Caixa Econômica Federal. Essa parceria permite a venda de pacotes turísticos em até 24 parcelas.
A TAM segue uma tendência inaugurada pela Gol, que em 2005 lançou o programa Voe Fácil, que vende passagens em até 36 vezes. Esta semana, a Webjet anunciou o Vai Voando, que permite que o cliente possa comprar o bilhete sem comprovação de renda.
Barroso estava em Nova York porque a TAM concluiu ontem uma captação de US$ 300 milhões em eurobônus, sem garantias e com vencimento em 2020, que elevou a sua posição de caixa para R$ 2 bilhões. Segundo ele, os recursos serão utilizados para investimentos na atividade e no futuro financiamento de aviões.
" Investidores do mundo inteiro compraram títulos da TAM, com, juros semestrais e o pagamento do principal no final de 10 anos, é uma demonstração clara de confiança tanto na nossa companhia quanto no Brasil e no potencial de crescimento de ambos " , disse Barroso. O executivo conta que a captação foi concluída em Nova York, mas o " road show " foi iniciado em Londres, passando por Nova York e Boston. Na avaliação de Barroso, o sucesso da operação mostra que a TAM vai superar os resultados operacionais em queda, divulgados no segundo trimestre do ano, e que levaram o mercado a questionar o desempenho financeiro da empresa até o final de 2009.
(Alberto Komatsu | Valor)