SÃO PAULO - A Petrobras e a Net iniciaram ontem emissão externa de eurobônus que pode totalizar US$ 5,3 bilhões. A TAM concluiu com sucesso captação de US$ 300 milhões, de prazo mais longo e pagando rendimentos menores do que companhias aéreas americanas em emissões recentes.
A captação da Petrobras será a primeira por meio de títulos externos com vencimento em 30 anos de sua história. A empresa vai lançar também bônus de dez anos, em uma segunda parcela. Segundo a Moody´s, os recursos poderão ser utilizados para " fins corporativos gerais, incluindo o pagamento de dívida da Petrobras e de suas subsidiárias " .
Já a Net pretende levantar até US$ 300 milhões em papéis de dez anos, em transação liderada pelo Citigroup, ING e Itaú. Segundo a Standard & Poor´s, " a emissão é parte de gerenciamento de passivos da empresa com objetivo de melhorar o perfil de vencimentos da sua dívida, fortalecer sua liquidez e sua estratégia de crescimento " .
A TAM concluiu emissão de US$ 300 milhões em papéis que também têm vencimento em janeiro de 2020 e com rendimento de 9,75% ao ano. Para comparação, as empresas aéreas americanas Delta, United Airlines, American Airlines e Continental têm fechado transações de prazo mais curto, de vencimento entre três e sete anos, pagando rendimento de 10% a 13%.
" A transação da TAM é uma mostra da confiança do investidor externo na economia do Brasil e na recuperação da companhia, ainda mais diante das boas perspectivas com a Copa do Mundo e Olimpíadas " , diz Ricardo Leone, superintendente de mercado de capitais do Santander, que, junto com o Citigroup, liderou a transação.
Ele lembra que a emissão tinha diversos desafios, pois o setor aéreo sofreu muito com a crise global e a TAM teve perdas com derivativos de petróleo. No dia 9, o comandante David Barioni Neto deixou a presidência da companhia aérea.
Aliado a isso, o mercado começou a semana nervoso e o IOF nas transações de renda fixa e variável para estrangeiros agregou volatilidade. " Apesar disso conseguimos sucesso na colocação junto a investidores americanos e europeus, principalmente " , disse Alexander " Sandy " Severino, diretor-gerente para os mercados de dívida da América Latina do Citi.
(Cristiane Perini Lucchesi | Valor)