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23/10/2009 - 11h31

Setor produtivo mantém confiança na economia brasileira, mostra Ipea

RIO - O setor produtivo se mantém confiante no crescimento da economia brasileira. O Sensor Econômico, que será divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que, em setembro, houve uma melhora a respeito das expectativas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que puxou o indicador para 26 pontos, o melhor resultado da série iniciada em janeiro e a manutenção em um patamar considerado de confiança pelo Ipea. A nota de apreensão fica por conta da piora na visão a respeito do comportamento futuro da inflação e das taxas de juros. Entre os quatro componentes do índice, as Contas Nacionais - que englobam a visão sobre o avanço do PIB e o desempenho das exportações - passaram a puxar as estimativas, com 41,3 pontos em setembro, uma expressiva alta em relação aos 30,9 pontos de agosto. A expectativa para os juros e a inflação derrubaram o componente dos Parâmetros Econômicos, de 48,9 pontos em agosto para 38,3 pontos no mês passado.

" A perspectiva de crescimento da inflação contribuiu também para a piora da percepção sobre os juros " , destaca Valdir Melo, técnico de pesquisa e planejamento do Ipea. " Mas, na média, os agentes econômicos estão mais otimistas em relação ao desenvolvimento da economia " , acrescenta.

O Ipea acredita que o PIB brasileiro deverá crescer cerca de 1% este ano. A projeção do instituto é de uma variação entre 0,2% e 1,2%, mas o diretor de estudos e políticas macroeconômicas do Ipea, João Sicsú, acredita que essa variação ficará na banda superior, entre 0,7% e 1,2%.

Para o ano que vem, o economista prevê um crescimento do PIB na casa dos 5%, com a volta ao ritmo pré-crise. Sicsú ressalta que as políticas adotadas pelo governo para evitar um grande impacto da crise no Brasil impediram que grandes bancos e empresas quebrassem no país e os efeitos dessas medidas deverão " atingir a plenitude " a partir do ano que vem.

" Se o empresário investir hoje, vai ter mercado no ano que vem e, possivelmente, em 2011 " , pondera.

Sicsú lembra que a crise não provocou a explosão do desemprego no país e ressaltou que a geração de postos formais de trabalho também continuou crescente, o que deve levar a uma criação de cerca de 1 milhões de empregos formais esse ano. A recuperação da economia é defendida pelo diretor do Ipea, que criticou a projeção de queda de 0,7% do PIB brasileiro esse ano, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

" Isso não tem nenhuma relação com o que está acontecendo na economia real " , frisa.

Entre os outros componentes do índice, o Desempenho das Empresas registrou 20,1 pontos, entrando no nível considerado de confiança pelo Ipea, depois de registrar 13,4 pontos em agosto, o que ainda denotava apreensão nas expectativas. Apesar de ter o pior desempenho, o Aspecto Social teve boa melhora, passando de -0,3 pontos em agosto para 4,1 pontos no mês passado. O indicador, que varia de -100 a +100 pontos, é dividido em áreas de pessimismo, adversidade, apreensão, confiança e otimismo.

Sicsú lembra ainda que, na média das expectativas sobre a economia brasileira, a tendência é de estimativas de inflação em queda. Neste sentido, discorda de possíveis aumentos da taxa básica de juros, que esta semana foi mantida em 8,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).

" Todos que preveem alta de 5% no PIB também preveem inflação abaixo de 4,5%, que é o centro da meta " , pondera.

(Rafael Rosas | Valor)

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