SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros perdem prêmio de risco na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) nesta sexta-feira. Estimulando a abertura de posições vendidas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) mostrou inflação de 0,18% em outubro, abaixo do esperado pelos agentes.
Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011 tinha baixa de 0,08 ponto percentual a 10,20%. Janeiro de 2012 recuava 0,07 ponto, a 11,52%. E janeiro declinava 0,03 ponto, a 12,25%.
Na parte curta da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2010 caía 0,02 ponto, a 8,64%. Julho de 2010 diminuía 0,07 ponto, a 9,07%. E novembro de 2009 devolvia 0,01 ponto, a 8,62%.
O analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, nota que a inflação abaixo do esperado e comunicado de viés positivo do Comitê de Política Monetária (Copom) explicam a descompressão da curva futura.
No IPCA-15, o destaque de baixa veio pelo lado dos alimentos. Goulart lembra, contudo, que, dada a natureza volátil desse item, surpresas negativas nas próximas medições não podem ser descartadas.
Mesmo com a incerteza gerada pelos estímulos fiscais e monetários, diz o analista, a inflação tem se comportado bem nos últimos meses. Desde julho, as leituras de IPCA-15 e IPCA vêm abaixo de 0,25%. O que representa uma inflação anualizada de cerca de 3%.
Para Goulart, toda a política monetária é reativa à inflação. Portanto, como os dados seguem positivos faz sentidos acreditar na manutenção da Selic em 8,75% ao ano.
" Deterioração forte dos preços é um gatilho importante e necessário para o BC subir os juros. Esse não é o sinal agora, mas também não pode ser completamente descartado " , pondera.
(Eduardo Campos | Valor)