SÃO PAULO - A instabilidade do mercado americano esfriou o ímpeto comprador, mas a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda defende variação positiva nesta sexta-feira. Por volta das 12h30, o Ibovespa registrava leve alta de 0,09%, aos 66.194 pontos, com giro financeiro e R$ 2 bilhões. Com tal pontuação o índice apresenta estabilidade no acumulado da semana e ganho de 7,6% no mês.
Em Wall Street, o Dow Jones não defendeu os ganhos da abertura e, há pouco, perdia 0,28%. Mais firme, o Nasdaq apontava alta de 0,56%. O setor de tecnologia ganhou impulso dos resultados da Microsoft, que mesmo amargando queda de 18% no lucro trimestral, superou a previsão dos analistas.
Pelo lado econômico, a Associação dos Corretores de Imóveis mostrou que a revenda de casas saltou 9,4% em setembro, contra previsão de alta de 5,9%. Ainda assim, a instabilidade persistiu na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse, na sigla em inglês).
Para o diretor responsável pela área de análises da Petra Personal Trader, Ricardo Binelli, pelo desempenho da bolsa nesses últimos dias, aparentemente a questão envolvendo a tributação do investidor estrangeiro não deve segurar a Bovespa.
" Está claro que o apetite por Brasil segue elevado. É verdade que precisamos de uma realização de lucros. Mas como brilho do país é forte, o investimento externo continuará sendo atraído " , afirma o especialista, ressaltando que as baixas devem ser encaradas como ponto de entrada, não como reversão de tendência.
Outro ponto destacado pelo diretor é que o mercado entra em uma fase de comparação de resultados e, no confronto anual, será visível algum tipo de melhora. Isso mexe com os modelos de precificação dos papéis, deixando os ativos mais atraentes.
" Quando você acrescenta um resultado positivo no cálculo, os múltiplos mudam bastante. Toda aquela pressão de que os preços já subiram de mais e que faltam fundamentos se dilui " , explica.
Olhando mais adiante, Binelli ressalta que o futuro brasileiro já está delimitado por processos de investimento muito expressivos, como pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada. " As pessoas fazem conta com relação a isso. O momento para os próximos anos é positivo. "
No front corporativo, os carros-chefe limitam as perdas do dia. Petrobras PN subia 0,16%, a R$ 37,06, e Vale PNA ganhava 0,23%, a R$ 41,80.
Menos resistentes à mudança de sinal externo, Itaú Unibanco PN desvalorizava 0,16%, a R$ 36,64, e Gerdau PN recuava 0,30%, a R$ 29,61.
Destaque de alta para a ação PN da TAM, que apontava alta de 3,75%, a R$ 26,77, reagindo a notícias acenando para a possibilidade de fusão com empresa europeia.
Bom desempenho para Telemar PN, que subia 3,54%, a R$ 34,79. A operadora fechou o trimestre com lucro de R$ 64 milhões, contra um lucro pro-forma de R$ 222 milhões em igual período do ano passado. Segundo a companhia, os dados ainda são impactados pela amortização de ágio referente à compra da Brasil Telecom.
Liderando as vendas, Sabesp PN caía 3,47%, a R$ 34,45, TIM Part ON recuava 2,0%, a R$ 6,34, depois de subir pela manhã, e Duratex PN diminuía 1,85%, a R$ 12,67.
Fora do índice, Brasil Ecodiesel subia 3,38%, a R$ 1,22, com elevado volume de negociação, mas de R$ 80 milhões. O papel se beneficia da decisão do governo de antecipar a meta de adição de 5% de biodiesel no diesel de 2013 para 2010.
No câmbio, os vendedores não se abalaram com a virada de humor nos mercado externo e seguiram se desfazendo de moeda americana. Há pouco, o dólar comercial perdia 0,52%, a R$ 1,716.
(Eduardo Campos | Valor)