SÃO PAULO - A confiança do consumidor da região metropolitana de São Paulo puxou o resultado do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) no país, que atingiu 113,6 pontos em outubro, o melhor resultado desde os 115,7 pontos apurados em maio de 2008. Em São Paulo, a confiança subiu 3% em outubro, para 115 pontos, o segundo melhor resultado da série histórica, abaixo apenas dos 115,3 pontos de março do ano passado.
"Em São Paulo, houve uma aderência muito grande às expectativas em relação à economia brasileira", frisou Aloisio Campelo, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV).
O ICC sobe em São Paulo desde fevereiro e Campelo ressaltou que, em outubro, a exemplo do que aconteceu no Brasil, o avanço foi puxado pela análise da situação atual, que cresceu 8,7% na região Metropolitana de São Paulo. No Brasil, o índice da situação atual avançou 5,6% frente a setembro, para 121,7 pontos.
Já no Rio de Janeiro, o ICC avançou 2,4%, interrompendo uma trajetória de queda que vinha desde julho. No caso da região metropolitana carioca, a alta foi puxada pelo índice de expectativas, que aumentou 3,3%. Campelo destacou que o crescimento da confiança no Rio não parece ter sido causado pela escolha da cidade para a sede da Olimpíada de 2016.
"Não dá para se perceber um impacto expressivo da divulgação da Olimpíada. Pode ter havido algo específico na semana da escolha, mas como a coleta é feita em três semana não houve influência significativa", argumentou Campelo.
O economista disse ainda que a principal razão para que o índice de expectativas ficasse estável foi a intenção de compras de bens duráveis, que recuou de 84,9 pontos em setembro para 81,9 pontos em dezembro.
Campelo explicou que a queda está mais relacionada a um ajuste das finanças domésticas do que a fatores sobre o recomposição do IPI sobre os produtos. A redução das expectativas na compra de bens duráveis foi puxada, segundo ele, pelas faixas de renda mais baixas.
"A inadimplência ainda está alta em termos históricos. Talvez o endividamento tenha segurado as expectativas de compras de duráveis", ponderou.
Campelo revelou que a sondagem mostrou ainda que a expectativa quanto ao mercado de trabalho nos próximos seis meses atingiu 106,7 pontos, o mais alto da série iniciada em novembro de 2005. Mais uma vez, São Paulo puxou a alta, com 121,8 pontos, também na máxima história.
No geral das sete regiões metropolitanas pesquisadas, 34,3% dos entrevistados avaliam como mais fácil conseguir emprego nos próximos seis meses, enquanto 12,5% acreditam que estará mais difícil.
(Rafael Rosas | Valor)