SÃO PAULO - Os vendedores não se deixaram influenciar pela instabilidade externa e venderam dólares do começo ao final do pregão dessa sexta-feira. Ainda assim, a divisa fechou a semana acumulando leve valorização de 0,29%. Já no mês a perda é de 3,33%.
Ao final da jornada, o dólar comercial era negociado a R$ 1,711 na compra e R$ 1,713 na venda, baixa de 0,69%. No ano, a divisa perde 26,6%.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar caiu 0,71%, valendo R$ 1,7127. O volume negociado caiu 49%, para US$ 137,75 milhões. Já no interbancário os negócios tiveram leve alta, somando US$ 2,4 bilhões.
Segundo o consultor em gerenciamento de risco da FCStone do Brasil, Bruno Lima, o comportamento da moeda americana está em linha com os comentários feitos logo após a decisão do governo de cobrar Imposto sobre Operação Financeira (IOF) na entrada de recursos estrangeiros. " O efeito de tal medida é pontual e limitado. "
Sinal claro disso é que na máxima registrada na terça-feira, o dólar foi a R$ 1,77, mas fechou a semana exatamente no mesmo preço de segunda-feira, dia anterior ao anúncio do governo.
" Parece repetitivo, mas, na verdade, o comportamento da moeda continua atrelado ao fluxo " , resume Lima, usando como exemplo os dados divulgados pelo Banco Central mostrando que no acumulado do mês até hoje, US$ 8,76 bilhões entraram no país somente para investimentos em ações.
Ainda de acordo com o especialista, algum tipo de controle se faz necessário, já que o país não tem bases econômicas muito sólidas, mas a forma escolhida não foi a mais eficiente. Segundo Lima, se a taxação estivesse atrelada ao prazo de permanência do capital o efeito seria bem maior.
A melhora nas perspectivas de crescimento do país mudou um pouco o perfil do dinheiro que vem ao mercado local, mas o aporte em Brasil, diz o analista, ainda é especulativo, com investimentos de curto prazo (seis meses a um ano).
Para encerrar, Lima avalia que o dólar pode voltar a testar as mínimas na casa de R$ 1,70. " Os fundamentos ainda são de dólar para baixo. Não tem nada que segure a taxa, ainda mais em um momento de crescente apetite por risco ao redor do mundo. "
Outro ponto a ser observado é o modo de atuação do Banco Central. Segundo o especialista, ao comprar constantemente mais dólares do que o fluxo, o BC permitiu que os bancos ampliassem suas posições vendidas (apostas contra o dólar) o que, no final das contas, acabou contribuindo para derrubar o preço da moeda americana.
(Eduardo Campos | Valor)