SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a fazer suspense nesta tarde sobre uma possível prorrogação dos descontos do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para linha branca. Mesmo assim, Mantega disse "ter compromissos" com os varejistas para proporcionar aos consumidores "o melhor Natal" possível.
Segundo ele, o compromisso prevê mais contratações, preservação dos empregos atuais, tendo em vista que "a massa salarial é que move a economia". A segunda parte do acordo envolveria um empenho dos varejistas em fazer mais promoções e oferecer mais facilidades aos compradores.
"Com isso, garantiremos que o último trimestre do ano será o melhor", disse Mantega, sem no entanto, declarar abertamente que a desoneração será sustentada até o final do ano.
De acordo com o ministro, uma decisão nesse sentido será anunciada até o final dessa semana.
A desoneração, que foi anunciada em 17 de abril deste ano e prorrogada em 29 de junho, tem prazo até o final deste mês para acabar.
A desoneração envolve os descontos para refrigeradores e geladeiras, que tiveram o imposto reduzido de 15% para 5%; máquinas de lavar, de 20% para 10%; "tanquinhos", de 10% para zero e fogão, de 4% para zero.
O ministro fez os comentários após reunião com a presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Luiza Helena Trajano, e com outros representantes do setor varejista, incluindo a Eletros.
Os participantes da reunião demonstraram confiança na possibilidade de sustentar essa política de IPI por mais tempo. Luiza Helena se disse otimista, mas também avalia que o setor tem feito de tudo para atrair os consumidores, seja com promoções, seja com financiamentos, ou prazos maiores.
"Todos nós já estamos fazendo promoções nesta semana, porque não sabemos o que vai acontecer com o IPI", disse. A empresária, que também é superintendente da rede Magazine Luiza, disse que os empresários apresentaram ao ministro provas de que o desconto do IPI vem sendo devidamente repassado nos pontos de venda.
Para fazer mais do que isso, Luiza diz que seria necessário obter recursos a um custo mais baixo, junto ao Banco do Brasil, por exemplo. De acordo com ela, o acompanhamento das necessidades de crédito do setor varejista vem sendo feito com frequência pelo BB.
Caso o governo determine o fim do benefício fiscal nesta semana, a empresária diz que será necessário rever os planos de contratações de fim de ano, que costumam aumentar em novembro e dezembro, por causa das vendas de Natal.
Se, no entanto, o governo mantiver os descontos no imposto, a previsão é de um aumento de 6% nas vendas do varejo neste ano, em comparação com 2008. "O varejo depende do último trimestre, porque no último trimestre de 2008 as vendas foram muito baixas", concluiu.
Dados divulgados neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em agosto a atividade nacional de móveis e eletrodomésticos registrou aumento de 0,6% no volume de vendas em relação a agosto do ano passado. Foi o segundo mês de alta após cinco baixas consecutivas nesse tipo de comparação. No acumulado do ano, a atividade apresentou baixa 1,6% e últimos 12 meses, o volume de vendas subiu 2,6%.
(Bianca Ribeiro | Valor)