SÃO PAULO - Com o ambiente de negócios mudando do apetite para a aversão ao risco os compradores ganharam espaço para atuar no mercado de câmbio. Por isso, o dólar comercial, que chegou a cair a R$ 1,703 na mínima da manhã, fechou o pregão com alta de 1,51%, valendo R$ 1,737 na compra e R$ 1,739 na venda.
Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 1,17%, para fechar a R$ 1,7328. O volume negociado na bolsa subiu 54%, para US$ 206,5 milhões. Já no interbancário os negócios tiveram baixa de 42%, para US$ 1,4 bilhão.
Segundo o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues, o gatilho para a abertura de posições compradas foi a piora de humor no mercado externo, onde o setor financeiro voltou a preocupar. "Mas isso, de certa forma, já estava no preço. Creio que o movimento de hoje é mais realização de lucro ou mesmo especulação", resumiu o especialista.
Ainda de acordo com o diretor, a decisão do governo de taxar o investimento externo em 2% quando destinado à bolsa ou títulos não tem efeito sobre a cotação da moeda. A medida, no final das contas, apenas complicou um pouco a questão da credibilidade do país no mercado externo.
"A ferramenta escolhida não atinge o mercado. A meu ver foi mais uma politica de arrecadação. Tem outros canais de fluxo externo que escapam à medida", concluiu.
Para o restante da semana, Rodrigues chama atenção para a agenda externa, que reserva o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre. Por aqui, foco na formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que liquidará os contratos futuros de novembro.
(Eduardo Campos | Valor)