SÃO PAULO - A TOV Corretora negou insinuações de que de poderia ser alvo de compra. Em nota aos seus colaboradores, a empresa ressaltou que não é de conhecimento de sua diretoria nenhum movimento de venda de quaisquer atividades.
"A informação não procede. Embora o Itaú seja uma casa maravilhosa, a TOV está em processo de expansão e não temos nenhum interesse de conversar sobre venda e associação com ninguém", disse Jamil Farath, diretor da companhia.
Procurado pela reportagem, o Itaú Unibanco ainda não se manifestou sobre o assunto.
Além de negar a notícia de que o Itaú estaria de olho na companhia, Farath reafirmou a meta de crescimento da empresa não apenas no mercado local, mas também no internacional.
Segundo o diretor, a ideia é abrir 10 filiais no Brasil e iniciar operações nos EUA, mais especificamente em Miami. "Também temos em vista outras fronteiras além dos Estados Unidos", completou o executivo.
Ainda de acordo com Farath, o objetivo é brigar pelo segundo ou terceiro lugar no ranking de corretoras da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já em 2011. No ranking geral, a empresa ocupa, atualmente, a nona colocação. "Mas estamos buscando a sexta ou sétima colocação já nos próximos meses."
No segmento Home Broker, ferramenta que permite ao pequeno investidor colocar ordens de compra e venda via internet, a TOV ocupa a segunda colocação, motivo pelo qual estaria despertando interesses no mercado.
Com uma política agressiva de taxa de corretagem de R$ 5,00, o segmento Home Broker vem apresentando expressivo crescimento nos últimos meses. Farath não revela o montante de clientes, mas aponta que as adições diárias estão entre 80 a 100 novos investidores.
"Não é só pelo preço. É bom deixar claro, também, a questão do atendimento", disse.
Nesse ponto, Farath destaca os investimento na área administrativa da corretora e os gastos com tecnologia. A plataforma atual da empresa tem capacidade para 20 mil investidores on-line.
O diretor aponta, ainda, que em breve a corretora lançará uma plataforma operacional própria para seus investidores. "Cerca de 90% do processo já está constituído. A plataforma passa por testes finais para ganhar certificação."
Farath também reafirmou o compromisso de que a taxa de operação de R$ 5 não será alterada. "A chance de mudar para cima é zero."
A última jogada da TOV no segmento de varejo foi oferecer desconto de 50% na taxa de operação para os aposentados. "Essa proposta fez crescer o número de cadastrados e teremos novidades pela frente."
Com esse tipo de ação, diz o especialista, a TOV busca inserir o mercado financeiro em um contexto social. "Com essa proposta queremos mudar a forma de pensar do mercado e sepultar a ideia de que esse segmento é voltado para uma pequena elite. Queremos varejar mesmo."
Segundo Farah, a popularização do mercado é um caminho sem volta. Atualmente cerca de 700 mil pessoas físicas têm cadastro de investidor, o que é número pouco significativo em um país de 190 milhões de habitantes. "Acreditamos que o mercado terá de 2 milhões a 3 milhões de CPFs operando em bolsas nos próximos anos."
(Eduardo Campos | Valor)