SÃO PAULO - A instabilidade externa não foi suficiente para roubar os 65 mil pontos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Compras nos instantes finais do pregão levaram o Ibovespa dos 64.500 pontos para os 65.085 pontos, o que representou fechamento em alta de 0,04% em relação a sexta-feira. O giro financeiro ficou em R$ 5,44 bilhões.
Para o diretor-gestor da Codepe Corretora, Fernando Aguiar, tal comportamento da bolsa reforça a visão de que os fundamentos do mercado local são bastante sólidos, o que impede quedas mais acentuadas.
Fora isso, diz o especialista, sempre que o índice se precipita um pouco mais, os investidores locais aparecem e dão sustentação. Sinal claro disso é que, enquanto os estrangeiros venderam ações na terça e quarta-feira da semana passada (últimos dados disponíveis), os locais foram às compras.
Além da instabilidade externa, onde o setor financeiro pesou sobre o Dow Jones e o S & P 500, os agentes também lidaram com problemas técnicos que deixaram o pregão paralisado por uma hora na manhã desta segunda-feira.
Segundo nota oficial da BM & FBovespa, a interrupção ocorreu devido a problemas técnicos apresentados na Rede de Comunicação da Comunidade Financeira (RCCF).
De acordo com Aguiar, tem que se entender que todo o sistema financeiro é usuário de telecomunicações e como toda a infraestrutura brasileira, esse é mais um setor que precisa melhorar. "Por mais que se invista, somos clientes. Imaginar que há falhas graves na bolsa é um pouco de teoria da conspiração", pondera.
As ações da BM & FBovespa não escaparam das vendas e parte delas pode ser atribuir às preocupações de curto prazo ocasionadas pelos problemas de tecnologia. O papel ON caiu 1,63%, para R$ 12,05, com o terceiro maior volume do dia.
Garantindo os ganhos do Ibovespa, Petrobras e Vale chamaram compradores mesmo com uma queda acentuada no preço das commodities, em especial do petróleo, que fechou abaixo dos US$ 80 o barril de WTI.
Liderando o volume negociado, Vale PNA garantiu alta de 1,24%, para R$ 41,51. Já a ação PN da Petrobras subiu 0,54%, a R$ 36,70.
Contribuindo para a variação positiva do dia, Itaúsa PN ganhou 0,92%, fechando a R$ 10,90, com o quarto maior volume do dia. Também entre os mais negociados, CCR Rodovias ON teve acréscimo de 2,56%, a R$ 33,95.
Ainda na ponta compradora, Gol PN foi destaque de alta de ponta a ponta. O papel subiu 4,84%, a R$ 19,69. Bom desempenho, também, para Ultrapar PN, que ganhou 3,19%, a R$ 80,49. Já as units da ALL Logística avançaram 2,21%, para R$ 12,93.
Na ponta vendedora, Bradesco PN perdeu 0,82%, a R$ 36,25, e Banco do Brasil ON teve desvalorização de 0,13%, a R$ 36,30. Na contração, as units do Santander ganharam 1,28%, a R$ 22,88. Ainda no setor, Redecard ON devolveu 3,47%, para R$ 27,22, maior perda dentro do índice.
Entre as siderúrgicas, CSN ON fechou com baixa de 2,16%, a R$ 61,60, e, no segmento de construção, Cyrela ON teve desvalorização de 0,94%, para R$ 24,07. Souza Cruz ON, Brasil Telecom Participações PN, VCP ON e Aracruz PNB perderam mais de 2% cada.
Fora do índice, chamou atenção a disparada de 36,53% registrada pelo recibo de ação (BDR) da Laep, empresa que controla a Parmalat, que fechou a R$ 0,71. Tal preço não era registrado em mais de um ano. O volume financeiro também foi atípico, somando R$ 29,6 milhões, para efeito de comparação, mais de 30 papéis do Ibovespa não movimentaram tal soma de recursos hoje.
(Eduardo Campos | Valor)