UOL Economia Notícias

BOLSAS

CÂMBIO

 

27/10/2009 - 08h55

Bovespa mostrou força e defendeu os 65 mil pontos

SÃO PAULO - O sinal externo garantiu um pregão de forte instabilidade nos mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) oscilou 1.401 pontos entre máxima e mínima antes de fechar praticamente estável. O dólar foi abaixo de R$ 1,71, antes de fechar a R$ 1,739, máxima do dia. Com um dos menores volumes do ano, os contratos de juros futuros apontaram para cima.

Em Wall Street, os índices ensaiaram alta pela manhã, mas preocupações com algumas empresas do setor financeiro e a queda de preço do petróleo acabaram chamando os vendedores para o jogo. Ao fim do pregão, o Dow Jones apontava baixa de 1,05%, aos 9.867 pontos. O S & P 500 recuou 1,17%, para 1.066 pontos. O Nasdaq caiu 0,59%, a 2.141 pontos.

A Bovespa seguiu a instabilidade externa e, além disso, lidou com problemas técnicos que deixaram o pregão fechado por uma hora, entre 11h56 a 12h56. Em nota, a bolsa informou que os problemas ocorreram na Rede de Comunicação da Comunidade Financeira (RCCF), que faz a ligação das corretoras com a bolsa.

No entanto, o rumo do pregão foi definido nos minutos finais de negociação. Compras concentradas nos ativos da Petrobras e da Vale tiraram o Ibovespa das mínimas do dia e levaram o índice a fechar com leve alta de 0,04%, aos 65.085 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,44 bilhões.

Para o diretor-gestor da Codepe Corretora, Fernando Aguiar, tal comportamento da bolsa reforça a visão de que os fundamentos do mercado local são bastante sólidos, o que impede quedas mais acentuadas.

Fora isso, diz o especialista, sempre que o índice se precipita um pouco mais, os investidores locais aparecem e dão sustentação. Sinal claro disso é que, enquanto os estrangeiros venderam ações na terça e quarta-feira da semana passada (últimos dados disponíveis), os locais foram às compras.

Garantindo os ganhos do Ibovespa, Petrobras e Vale chamaram compradores mesmo com uma queda acentuada no preço das commodities, em especial do petróleo, que fechou abaixo dos US$ 80 o barril de WTI.

Liderando o volume negociado, Vale PNA garantiu elevação de 1,24%, para R$ 41,51. Já a ação PN da Petrobras subiu 0,54%, a R$ 36,70. A virada de humor na bolsa americana chegou ao mercado de câmbio, trazendo os compradores de volta ao jogo. Depois de cair a R$ 1,703, o dólar comercial fechou o dia com acréscimo de 1,51%, valendo R$ 1,737 na compra e R$ 1,739 na venda.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar subiu 1,17%, para fechar a R$ 1,7328. O volume negociado na bolsa subiu 54%, para US$ 206,5 milhões. Já no interbancário os negócios tiveram baixa de 42%, para US$ 1,4 bilhão.

Segundo o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues, o gatilho para a abertura de posições compradas foi a piora de humor no mercado externo. " Mas isso, de certa forma, já estava no preço. Creio que o movimento de hoje é mais realização de lucro ou mesmo especulação " , resumiu o especialista.

Para o restante da semana, Rodrigues chama atenção para a agenda externa, que reserva o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre. Por aqui, foco na formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que liquidará os contratos futuros de novembro. Os contratos de juros futuros começaram a semana acumulando prêmio de risco. No entanto, o baixo volume negociado no dia tirou representatividade do movimento. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 135.350 contratos, equivalentes a R$ 11,53 bilhões (US$ 6,74 bilhões), cinco vezes menos do que o registrado na sexta-feira e um dos menores volumes do ano.

Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava acréscimo de 0,02 ponto percentual, a 10,27%. O vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,03 ponto, a 11,53%. E janeiro de 2013 projetava 12,24%, também com avanço de 0,03 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 ganhou 0,01 ponto, marcando 8,66%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, também ganhou 0,01 ponto, a 9,11%. Novembro de 2009 fechou estável, a 8,63%.

(Eduardo Campos | Valor)

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host