SÃO PAULO - O investidor de varejo que procurou uma corretora consorciada e fez seu pedido de reserva para participar da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Cetip foi atendido integralmente até o valor máximo de R$ 27.885. Os investidores vinculados foram excluídos da oferta.
As ações da empresa, que domina o mercado de liquidação e custódia na negociação de títulos de renda fixa privados e derivativos no mercado de balcão brasileiro, começam a ser negociadas dia 28 de outubro no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sob o código CTIP3. Vale lembrar que a companhia já tinha comunicado a intenção de vender ações em 2007 e chegou a ensaiar a venda de ativos em 2008.
O procedimento de coleta de intenção de investimento, ou bookbuilding, fixou a ação ordinária da Cetip em R$ 13, piso da estimativa de preço que ia até R$ 17. Com isso, a oferta secundária de 58.954.818 ações movimentou R$ 766 milhões.
Acontece que já está registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o exercício do lote suplementar de 15%. As ações podem ser vendidas nos próximos 30 dias para atender ao excesso de demanda. Caso colocado integralmente, o valor da distribuição vai a R$ 881 milhões.
A esse preço, a empresa chega à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com valor de mercado de R$ 2,9 bilhões.
Por se tratar de oferta secundária, todo o dinheiro levantado com a venda das ações vai para o bolso dos acionistas vendedores.
O maior acionista da Cetip é o fundo Advent, com 31,93% do capital, que comprou essa fatia este ano de instituições financeiras associadas. Também com participação relevante aparecem o Itaú Unibanco e afiliadas, com 10,06%, e o Bradesco e afiliados, com 6,79%.
Advent e Bradesco vendem ações na oferta junto com mais de 150 instituições financeiras e pessoas físicas que também fazem parte do grupo de acionistas vendedores.
É bom notar que, antes de se tornar uma empresa tradicional, a Cetip teve de passar por um processo de desmutualização parecido com o que ocorreu com a BM & F e a Bovespa, antes da abertura de capital.
Tendo como principais atividades o registro, a custódia e a operacionalização de transações envolvendo ações e derivativos, a Cetip fechou 2008 com lucro líquido de R$ 75,2 milhões, alta de 87% ante o exercício anterior. No primeiro semestre deste ano, no entanto, a empresa lucrou R$ 24,3 milhões, 28,9% menos do que nos seis primeiros meses do calendário anterior.
A distribuição é coordenada pelo Itaú BBA, BTG Pactual, BBI, Santander e Credit Suisse.
(Valor)