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27/10/2009 - 11h20

Há um ano, Bovespa atingia o fundo do poço, aos 29.435 pontos

SÃO PAULO - Há exatamente um ano, o clima era bastante negativo. O ícone de mercado Lehman Brothers tinha sucumbido à crise e a pergunta era quem seria o próximo grande banco a cair. Refletindo essas incertezas e uma massiva fuga de investimento externo, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) marcava a mínima para o ano aos 29.435 pontos.

Isso representava um mergulho de 44.081 pontos desde a máxima história registrada em 20 de maio de 2008, aos 73.516 pontos, quando o mercado vinha no embalo do grau de investimento.

Passado um ano, parece que o mercado funcionou conforme lei da física, que aponta que, para cada ação, há uma reação de força igual, mas em direção contrária. Depois de sete meses da mínima, o índice já oscilava acima dos 50 mil pontos e, em 14 de setembro, já tinha dobrado em comparação com a mínima. Pouco depois, o Ibovespa já oscilava acima dos 60 mil pontos, que era tido como meta de valorização para 2009.

O que mais impressiona é que as compras não pararam por aí. Apoiados na expectativa de recuperação da economia e munidos de trilhões de dólares que foram injetados para salvar a economia do colapso, os agentes seguiram ampliando posições em ativos de risco, incluindo ações brasileiras. Fora os fatores externos, o Brasil virou "xodó" dos investidores internacional ao superar a crise com menos baixas do que o esperado. Com isso, a economia mostrou sua força interna e aumentou seu apelo internacional.

Impulsionada pelo investimento externo, que já soma mais de R$ 20 bilhões no ano, o índice marcou a máxima de 2009, até o momento, aos 67.239 pontos em 19 de outubro. Isso representa uma elevação de 128%, ou 37.804 pontos, da mínima do ano passado. Em dólares, a alta é ainda mais expressiva, se aproximando dos 200%, melhor resultado do mundo.

Desde então, as compras perderam um pouco de fôlego em âmbito mundial e o mercado local tropeçou na imposição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% ao capital externo. Ainda assim, os agentes mantêm o otimismo e acreditam que o índice pode buscar os 70 mil pontos até o fim do ano. A visão de médio e longo prazo é bastante favoráveis ao país o que leve algumas casas de investimento a crer que os 73.516 pontos podem ser retomados já nos primeiros meses de 2010, salvo alguma catástrofe no cenário externo.

Ontem mesmo, o Goldman Sachs reafirmou essa visão otimista divulgando previsão de que o Ibovespa pode marcar os 85 mil pontos em meados de 2010, o que representa uma valorização de 30,6% sobre os 65.085 pontos registrados no fechamento de ontem.

(Eduardo Campos | Valor)

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