BRASÍLIA - Apesar de recuo bem delineado há três meses na inadimplência de pessoas físicas, as empresas ainda mostram dificuldade para saldar compromissos bancários. O Banco Central (BC) aponta que o aumento do crédito e a retomada da atividade são fatores a favorecer a tendência de normalização nos pagamentos.
Segundo o BC, em setembro a inadimplência geral caiu para 5,8%, ante 5,9% em agosto e em julho. Esse patamar, porém, ainda está distante da média de 4% apresentada em setembro de 2008, ante da crise financeira global.
Os atrasos nos empréstimos e financiamentos superiores a 90 dias corresponderam a 8,2% do total das operações de pessoas físicas. Essa taxa diminuiu dos 8,4% apontados na média de agosto, retornando ao patamar verificado em janeiro deste ano O recorde, de 8,6%, foi atingido em maio e em junho.
Mas a inadimplência das empresas subiu para o recorde de 4%, ante 3,9% no mês anterior, o dobro da taxa verificada em janeiro. E também acima de 1,6% apurados um ano antes.
O chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, explica que a contração na inadimplência das pessoas físicas já era esperada, pela autoridade monetária e pela comunidade financeira.
Isso porque, após a aceleração no início do ano, as famílias passaram a apresentar redução nas parcelas em atraso, principalmente nos prazos inferiores a três meses.
Maciel lembra que a crise secou a liquidez bancária, dificultando o refinanciamento de dívidas gerais e ampliando a inadimplência.
" Ocorre que há uma alta no crédito em geral, principalmente para empresas, o que dá certo alívio " , comentou ele. " O recuo de 0,1 ponto percentual ainda é modesto, mas marca a reversão no movimento de alta " que se verificava na inadimplência geral, comentou o executivo do BC.
Os dados divulgados hoje apontam que houve uma expansão de 1,2% nas operações de crédito livre direcionadas às empresas em setembro, principalmente para capital de giro, com a impulsão da atividade econômica neste segundo semestre.
Pela média diária, as concessões de crédito a pessoas jurídicas cresceram 4,7% no mês passado sobre agosto. No ano, esse mesmo indicador aponta um recuo acumulado de 8,9%, espelhando o crédito curto dos bancos às empresas durante o período crítico da crise.
(Azelma Rodrigues | Valor)