BRASÍLIA - A taxa geral de juros das operações bancárias a pessoas físicas caiu em setembro pelo décimo mês consecutivo, para 43,6% ao ano, a menor da série apurada pelo Banco Central (BC) desde julho de 1994.
A taxa de financiamento de veículos também foi a menor da série, saindo de 26,2% em agosto para 24,9% anuais, em função do movimento de alta na demanda no mês passado, gerada pela política de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos automóveis.
Para o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, a continuidade na redução dos juros reflete "o ambiente de superação da crise e a ampliação da atividade econômica", na esteira, é claro, da trajetória de queda da taxa básica de juros Selic em janeiro deste ano.
E apesar da parada nos cortes da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), mantida em 8,75% anuais desde o mês passado, Maciel ainda vê espaço para futuras correções para baixo nos juros bancários ao consumidor.
Ele deu como exemplo a queda do spread, que é a diferença entre o custo de captação e o juro cobrado no empréstimo. No mês passado, o spread geral recuou 0,3 ponto percentual, para 26% ao ano, o menor desde agosto de 2008 (26,2%). A diminuição do spread se deu, basicamente, pela queda na inadimplência, de 5,9% em agosto para 5,8% em setembro.
Por outro lado, houve alta na taxa de captação em 0,2 ponto percentual, para 9,3% ao ano. Isso em função da especulação do mercado financeiro de que em 2010 a Selic, fatalmente, será elevada, por conta da maior atividade econômica que deverá puxar a inflação.
(Azelma Rodrigues | Valor )